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Wladimir Prepara pacote com diminuição de salários para servidores da saúde e aumento de impostos

O prefeito Wladimir Garotinho (PSD) está preparando um pacote, que deverá ser votado na Câmara de Campos, com uma série de medidas para, pelo menos tentar, melhorar a saúde financeira do município.

O principal problema, que faz com que o pacote enfrente dificuldades para ser aprovado, é que o prefeito decidiu fazer os primeiros ajustes afetando justamente a população e os servidores públicos da cidade.

Em relação aos servidores da saúde, a medida incluída no pacote visa cortar os adicionais de substituição, gratificação e insalubridade. A medida, apesar de poder trazer uma economia de até R$ 4,5 milhões por mês, não é vista com bons olhos pela Câmara, principalmente devido ao momento de pandemia.

“Estamos em um momento de calamidade e de pandemia, independente das dificuldades financeiras do município, cortar dos servidores da saúde não deveria ser uma opção. Tinha que tirar esse dinheiro de outro lugar.” – Confidenciou um dos vereadores, que preferiu não ser identificado.

O problema é que apesar do desconforto dos vereadores com o assunto, o pacote não parece enfrentar dificuldades para ser aprovado na casa, já que o governo tem conseguido convencer individualmente os vereadores a votarem a favor das medidas. Não se sabe ao certo de que forma o convencimento está sendo feito, mas a conversa parece ser boa, já que até vereadores eleitos em outros palanques eleitorais já estão confirmando suas posições para que tudo seja aprovado na casa legislativa.

Outra medida proposta nesse pacote seria o aumento de 50% do Imposto sobre a transmissão de bens imóveis (ITBI), a alíquota passaria de 2% para 3%. O aumento traz preocupações para os profissionais da área imobiliária, afinal, o mercado já se encontra enfrentando uma série de dificuldades, no entanto, na prática, o aumento só traria efeitos negativos, já que a arrecadação não aumentaria de forma significativa, justamente devido ao desaquecimento da categoria já ser uma realidade.

O principal problema não é a busca por redução de despesas e aumento de arrecadação serem o objetivo do prefeito Wladimir Garotinho, mas o que traz grande surpresa é a origem dos cortes. Aumento de impostos de um mercado já prejudicado e desmotivação dos funcionários da saúde durante uma pandemia, por si só, parecem não fazer o menor sentido, mas o quadro fica ainda pior quando vemos a prefeitura executar um contrato de R$ 10,8 milhões na iluminação pública e ter como um dos seus maiores fornecedores uma empresa investigada no maior escândalo de desvios na saúde do Estado do Rio de Janeiro. Talvez, além do dinheiro, faltem prioridades.

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