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Virada na Times Square tem filas enormes, pizza de rua a R$ 195 e policiais sem máscara

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RAFAEL BALAGO
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – O novo ano começou na Times Square ao som de “New York, New York”, de Frank Sinatra, com pedaços de papel laminado voando pelo ar e a bola de luzes coloridas no alto de um prédio se apagando, como de costume. Apesar dos rituais tradicionais, a virada de 2022 foi diferente das anteriores na praça mais conhecida de Nova York.
Na primeira festa de Réveillon com público na cidade desde o começo da pandemia, o número de pessoas foi limitado a 15 mil, frente a mais de 60 mil antes da crise sanitária. Era preciso mostrar identidade e comprovante de vacinação na entrada. Para tentar garantir o distanciamento social, a plateia foi dividida em vários espaços separados por gradis, como currais, que ficavam a vários metros de distância uns dos outros.
Cada espaço destes, no entanto, não tinha estrutura alguma. Eram apenas um pedaço de asfalto, sem assentos, banheiros, água ou comida por perto. O acesso de cada um deles era fechado quando determinada quantidade era atingida, e quem saísse era avisado que teria de pegar a fila de novo, desde o início, caso quisesse voltar.
Sete horas antes da virada, às 17h, havia uma fila para entrar que se estendia por cinco quadras. Quem a vencia conseguia acesso a áreas já distantes, a quase dez quarteirões do epicentro da festa. Os setores perto dos palcos, e da bola, lotaram rápido, pouco depois da abertura dos portões, às 15h.
“Cheguei aqui no começo da tarde e só consegui espaço aqui longe. Acho que quem fica perto do palco chegou às 6h da manhã”, contou Alicia, 22, que não quis dar o sobrenome. Ela estava em um espaço mais à frente, mas acabou tendo de ir mais para o fundo depois de sair para achar um banheiro. Em vez de pegar a fila de novo, acabou pulando a grade, enquanto a polícia não via.
“Vim para cá porque queria viajar. E não gosto de festas onde as pessoas enchem a cara”, conta ela, que mora na Virgínia e tinha vindo de ônibus. Um amigo a encontraria na festa, mas não conseguiu vir porque sua viagem foi cancelada, um reflexo da pandemia.
Na hora da virada, algumas pessoas pularam as barreiras de metal, em busca de lugares melhores para tirar fotos dos breves fogos de artifício. Em cada cercadinho, havia espaço de sobra para que todos ficassem sem se aglomerar. Mas, como em qualquer show, a maioria das pessoas prefere se juntar na grade com melhor vista do palco, e o resto do espaço ficava vazio, com algumas pessoas sentadas no chão.
O uso de máscara também era exigido, mas muitas pessoas a baixaram logo depois de entrar, e não havia fiscalização disso. Vários policiais, inclusive, não a utilizavam. O agente que controlava o acesso ao espaço em que a reportagem estava era um deles. Ele ficou cerca de meia hora conversando com um casal de frequentadores que também tinha o rosto desprotegido.
O público da festa era variado. Havia jovens casais, grupos de amigos, famílias com crianças, senhoras sozinhas. As conversas aconteciam com muitos sotaques e línguas diferentes. Mas todos entendem quando um homem, perto das 19h, surge do lado de fora da grade gritando “pizza”.
O vendedor, que não trazia credenciais, apoiou na grade sete caixas com pizzas de queijo e oferecia cada uma por US$ 35 (R$ 190). Muitos interessados acharam o valor caro -afinal, é comum achar fatias por US$ 2 na região. Mas, em dez minutos, todas foram vendidas.
Depois dele, nas horas seguintes, vieram raros vendedores, oferecendo pizzas e hambúrgueres a preços salgados. Uma banca de jornal entreaberta vendia algumas coisas também, de modo discreto. Em outra área, ao lado de uma farmácia, era preciso conversar com um policial para conseguir sair, ir comprar algo e voltar. Cada agente parecia agir de uma forma. Questionado sobre banheiros, um deles sugeriu: “tente ver se algum hotel deixa usar”.
Perto do povo na rua, vários hotéis e restaurantes promoviam festas de fim de ano para clientes que chegavam muito arrumados e podiam acessar a área restrita sem pegar filas. Eles também podiam circular pelos corredores entre as grades. Assim, saíam para tirar fotos nas ruas e logo voltavam para dentro. Havia festas ali com entradas a partir de US$ 1.000, como a do Marriot Marquis.
Nas áreas mais afastadas do palco, o clima era mais de espera do que de festa, porque o som chegava baixo, embora houvesse telões em alta definição para mostrar quem estava se apresentando. A noite teve números musicais de Mariah Carey, Journey, KT Tunstall, Ja Rule e Ashanti. Três nomes que haviam sido anunciados inicialmente -Carol G, LL Cool J (que pegou Covid) e Chloe- não se apresentaram.
Na rua, para passar o tempo, alguns casais ensaiavam passos de dança quando a música ficava mais animada. Outros comiam lanches que trouxeram, sentados no chão. E quase todos mexiam no celular, a maioria para tirar fotos, fazer chamadas de vídeo e compartilhar que estavam ali. “Vim porque sempre quis conhecer essa festa, por ser considerada o maior Ano-Novo do mundo”, comentou Thrupthi, jovem mulher de origem indiana que veio estudar nos EUA (e também não quis dar o sobrenome).
A cada hora, havia uma contagem regressiva e uma pequena explosão de fogos de artifício, como forma de esquenta para a hora da virada. Quando a meia-noite se aproximou, a aglomeração aumentou bastante, e todos tentavam achar um bom ângulo. A contagem regressiva começou, os celulares subiram e mal dava para ver o telão. Mas os fogos de artifício, a chuva de papel colorido e o clima da virada traziam a sensação de que as várias horas de espera valeram a pena.
A multidão começou a ir embora minutos depois, ao som de “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong. Muitos tentaram parar para tirar mais fotos, mas a polícia mandou que todos circulassem. Perto de 0h30, o metrô levava muitas pessoas ainda vestidas com óculos em formato de “2022” e chapéus que desejavam “Happy New Year”.

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