Nunca cheguei a entrar no Rio Paraíba do Sul dentro da cidade de Campos. Sempre tive medo de ter alguma coisa que me puxasse para o fundo, e que eu só reaparecesse lá pelas bandas de São João. ​

Sentava-me às suas margens observando as águas passarem em finais de domingo, e tinha vontade de dar um mergulho enquanto me divertia com os amigos.​ Sempre admirei a grandeza desse rio que nasce lá em São Paulo em uma confluência de outros
dois rios, e vem serpenteando até desaguar no furioso mar de Atafona. ​

Vejo fotos antigas que mostram as competições de remo, que eram grande atração da cidade.  Lendas de jacarés gigantes habitando o fundo do rio. E sua importância para navegação e comércio na época imperial. Percebo que muito do que era o Rio Paraíba para os campistas, se perdeu no tempo. Acostumamos-nos a ver suas águas barrentas passarem pelo centro enquanto corremos para não perder o ônibus no terminal. Não paramos mais para observar nos finais de tarde, o sol refletindo e dando tons de dourado a serpente fluvial que corta a nossa cidade. Apenas sabemos que ele está lá e não sabemos por quanto tempo. ​

De desastres causados pela indústria irresponsável até o lixo que jogamos aos montes. Não nos preocupamos com o legado que deixaremos para nossos filhos e netos.

O Mar (pará) Ruim (íba) como os índios chamavam, vem aguentando diversos tipo de violência industrial e processos de assoreamento e poluição por esgoto doméstico e metais pesados, tornando-se imprópria para banho e alimentação em pontos críticos do seu percurso. Deveria haver sim, uma forma de recuperá-lo, mas quem o faria? ​

As empresas deveriam pagar pela degradação enquanto grandes responsáveis por sua
poluição? Haveria punição para o esgoto desaguado em seu leito? ​

Nos resta apenas esperar e observar enquanto pessoas o bom senso ambiental ser despertado quiçá colocado em prática e enquanto isso observar a história de Campos esvair pelos dedos enquanto alimenta o oceano.

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