Campos

Saúde de Campos entra na UTI em estado gravíssimo

Para quem mora em Campos, se tem algo que não pode depender do poder público é a área da saúde. “Campista não pode escolher ficar doente”, a frase que já virou dito popular em Campos nas últimas décadas, parece cada vez piorar e se tornar ainda mais constante. Corredores superlotados, falta de medicamentos, falta de insumos básicos como álcool, triagens eternas e até falta de médicos; essa é a triste realidade de quem passa pelo Hospital Geral de Guarus (HGG), que é uma das mais importantes unidades hospitalares da cidade de Campos.

Entre os corredores da unidade, pacientes diagnosticados com grave estado de tuberculose estão internados na mesma ala onde pacientes e acompanhantes que não estão contaminados com a doença recebem atendimento. Pacientes com infarto demoram até 9 dias para conseguir uma transferência para uma unidade especializada, como o Hospital Álvaro Alvim e Santa Casa de Misericórdia. Durante o período de espera, o tratamento é feito nos corredores do HGG, onde em alguns momentos faltam até anticoagulantes, medicamentos de suma importância para quem recebe tratamento pós-infarto.

A falta de estrutura básica para o atendimento afeta também pacientes com quadro de emergência, onde a triagem pode demorar mais de 12 horas para ser feita. Pacientes que chegam no HGG são atendidos de acordo com a prioridade do atendimento, que em muitas vezes não é notada de início. Muitos desistem antes mesmo de receber algum atendimento médico, tendo o seu estado de saúde agravado, gerando complicações clínicas e degradação o estado de saúde.

Um dos grandes fatores que agravaram a situação do HGG é a falta de médicos no Sandu do Jardim Carioca, onde pacientes são indicados a buscarem atendimento no HGG, o que gera uma grande demanda e poucos recursos – materiais e humanos – para realização do atendimento. Segundo relato de uma das pacientes, identificada como Bruna Carvalho, atendente de uma boutique alimentícia, atualmente o Sandu de Guarus não tem condições sequer de oferecer atendimento básico. “Estive no Sandu e me informaram que não tinha como aferir a pressão do meu esposo. Chegando até aqui, estamos há 9 horas aguardando o atendimento básico, mas até agora não fomos atendidos pela triagem”, relatou Bruna

Buscando os dois lados da informação, encaminhamos à Prefeitura de Campos, através da superintendência de Comunicação, questionamentos sobre a situação das unidades hospitalares municipais, e principalmente, buscando repostas que pudessem assegurar uma perspectiva de melhora. Porém, até a publicação desta matéria não obtivemos respostas do poder público que justificassem questões como falta de insumos, falta de remédios, falta de profissionais, os motivos para não ser realizado a transferência de pacientes em estado grave para unidades especializadas, entre outras demandas.

ATUALIZAÇÃO SÁBADO ÀS 14H08 – Em nota, a Prefeitura de Campos informou que o complemento de verba municipal ocorre em virtude da defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que os atendimentos de média e alta complexidade são de responsabilidade do governo federal. O município teve uma queda de arrecadação e vem operando com metade do orçamento se comparado a gestões anteriores, mas vem se esforçando para manter os pagamentos em dia.

De acordo com a contratualização feita entre a prefeitura e os hospitais filantrópicos e privados, o pagamento é feito de acordo com a produção realizada durante o mês e apresentada no mês subsequente, conforme calendário do Ministério da Saúde, pois o município utiliza os sistemas disponibilizados pelo governo federal. Os repasses federais estão em dia e os municipais vêm sendo realizados de acordo com viabilidade financeira.

Não obtivemos respostas sobre o longo prazo de espera na triagem do HGG e da falta de profissionais no Sandu de Guarus. Também não houve esclarecimentos sobre a falta de medicamentos e insumos básicos.

Goteira em um dos corredores do Hospital Geral de Guarus

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