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Review: ‘Age of Empires 4’ é para os amantes da História (que querem fazer parte dela)

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O ano era 1997. Eu já era fã de jogos de estratégia em tempo real, como ‘Warcraft II’, e de games que tinham como pano de fundo a História, como ‘Civilization’. Então soube que seria lançado um jogo que uniria essas duas coisas: ‘Age of Empires’. A ideia era poder escolher uma civilização, entre gregos, egípcios, babilônicos, persas e outros, e levá-la da Idade da Pedra à Idade do Ferro.  Fui imediatamente fisgado e, de lá para cá, nenhum outro ‘Age of Empires’ escapou mais do meu radar.

E finalmente, eis que 16 anos depois de ‘Age of Empires III’, a Relic Entertainment, em parceria com a World’s Edge e o Xbox Game Studios, finalmente nos entrega um novo jogo da franquia. ‘Age of Empires IV’ está sendo lançado para PC/Windows nesta quinta-feira (28), via Steam e disponível no dia 1 para Xbox Game Pass para PC e Ultimate. Um jogo novinho, com controles atualizados, interface de usuário remodelada e uma nova abordagem para a campanha, mas ao mesmo tempo que parece muito familiar para quem, como eu, cresceu com a série.

‘Age of Empires IV’, apesar da numeração, é um sucessor espiritual de ‘Age of Empires II’ e seu foco na história medieval. São, inicialmente, oito civilizações: ingleses, chineses, franceses, Sacro Império Romano, mongóis, Rus, Sultanado de Déli e a Dinastia Abássida. Cada uma delas tem sua própria arquitetura, unidades exclusivas com habilidades únicas e heróis. Elas se encontram ainda em quatro campanhas – “Os Normandos”, “A Guerra dos Cem Anos”, “O Império Mongol” e “A Ascensão de Moscou – com 35 missões abrangendo 500 anos de história.

Os arqueiros longos ingleses, por exemplo, além do alcance maior em comparação com outras unidades semelhantes, ainda podem montar uma cerca de estacas e de defender melhor de unidades de cavalaria. Falando em cavalos, os mongóis têm acesso a unidades montadas muito antes de outras civilizações, e seus arqueiros Mangudai trazem o terror a galope. Já os russos, conseguem coletar recursos no mapa com mais velocidade e possuem defesas melhoradas no early game – o que pode ser uma vantagem inicial tremenda.

E o mais legal, e isso é algo totalmente novo em ‘Age of Empires IV’, é que a evolução das civilizações, seus métodos e sua história, é toda explicada em uma série de vídeos filmados em locações reais, combinadas com animações. É como ver um documentário do History Channel enquanto joga, dando o contexto da próxima fase. Figuras já conhecidas de ‘Age of Empires II’, como Joana d’Arc e Gengis Khan, estão de volta, mais vivos do que nunca. E tudo localizado e dublado em português brasileiro, para você não ter mais desculpas pelas notas baixas em História.

Outro aspecto marcante de ‘Age of Empires’, o multiplayer JvJ ou JvA, suporta até 8 jogadores ao mesmo tempo, com partidas que podem ser personalizadas com ferramentas de conteúdo gerado pelo usuário. O game ainda conta com um modo “Arte da Guerra” com uma série de desafios em forma de cenários que trazem desvantagens a serem superadas.

O jogo em si, para quem é veterano, não mudou quase nada. A partir do centro da sua cidade, recrute aldeões, colete recursos como madeira, comida, pedra e ouro, e construa casas, quarteis, fazendas e mercados. Certos objetivos são gatilho para a passagem da sua civilização para uma nova Era, marcada pela construção de um edifício especial que lhe garante também tropas únicas. A chave do sucesso está no equilíbrio entre gastar bem seus recursos e manter os adversários sempre em cheque, para que eles não consigam evoluir mais do que você.

Jogadores novatos são mais do que bem vindos a ‘Age of Empires IV’. O game conta com um sistema de tutoriais que ensina o básico da estratégia em tempo real e alguns particulares das civilizações e do gameplay do jogo. Ao entrar pela primeira vez no game, uma missão tutorial já conduz o usuário aos fundamentos de ‘Age of Empires IV’, mas se você ainda se sente inseguro em enfrentar o desafio, o jogo conta com um “Modo História”, que permite vencer batalhas sem qualquer dificuldade, enquanto o jogador apenas curte esse documentário histórico interativo.

As estruturas refletem a arquitetura de cada civilização. Imagem: Relic Entertainment/Divulgação

Fica claro que o pessoal da World’s Edge e da Relic Entertainment gastou muito tempo fazendo este jogo. O design gráfico, de unidades, edifícios e do  próprio cenário, é belíssimo, e te permite identificar facilmente a quem pertence a facção rival, só pelo estilo das roupas e dos prédios. Cada facção ainda conta com falas em seu idioma nativo, que vai evoluindo conforme você atravessa as Eras. Os ingleses, por exemplo, são muito difíceis de entender no início do jogo, enquanto no fim já falam uma língua bem próxima a atual.

Os desenvolvedores ainda fizeram uma escolha muito inteligente (na minha opinião), que foi apostar em visuais marcantes ao invés do realismo, o que gera um visual que enche os olhos e ao mesmo tempo é simples. Tanto que ‘Age of Empires IV’ não é um jogo “pesado”: suas configurações recomendadas exigem processador 3.6 GHz 6-core (Intel i5) ou AMD Ryzen 5 1600 , 16 GB de RAM e placa de vídeo Nvidia GeForce 970 GPU ou AMD Radeon RX 570 GPU com 4GB de VRAM.

Faltou, porém, mais ousadia ao ‘Age of Empires IV’. Evocar o título mais popular da franquia, ‘Age of Empires II’, foi jogar na zona de conforto – sem esquecer o fato de que o game ganhou uma Edição Definitiva há um ano. Fazer dois jogos tão parecidos num espaço tão curto de tempo pode acabar por fazer com que um canibalize a base de jogadores do outro. A nova interface também não é das mais intuitivas, não é fácil distinguir quais unidades estão selecionadas, especialmente durante combates mais acirrados.

No meio do combate a coisa pode ficar confusa, e a interface não ajuda muito. Imagem: Relic Entertainment/Divulgação

No fim, ‘Age of Empires IV’ pode ser uma opção mais convidativa para quem gosta do estilo de estratégia em tempo real, mas não é um jogador hardcore do gênero, ou é fã de História e quer se sentir participando um pouco mais dela. A Relic Entertainment tem muito espaço para trabalhar ainda com o jogo, nas futuras expansões e DLCs que podem compensar nessa “ousadia”. Se não vale a pena comprar no preço cheio (R$ 199 para a edição standard), com certeza é um grande atrativo para assinantes do Game Pass.

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