Brasil e Mundo

Qual é o preço?

Hoje o Rio de Janeiro teve o segundo helicóptero militar abatido em 7 anos, e o Brasil está oficialmente em “paz”. Mesmo assumindo uma política conhecida como “Guerra as drogas”, nós seguimos tratando a mesma como uma política pública, levando o termo como metáfora, e não como guerra de fato. Será que é assim?

Você firmou um acordo com uma instituição central que, sob a contrapartida de ser composta por aqueles que você (e outros) deram uma procuração para falar em teu nome, tem o direito de pegar teu patrimônio e praticar atos em nome de seu interesse.

Pois bem, essa instituição central resolve que é de seu interesse abrir uma G-U-E-R-R-A. Essa guerra, como qualquer guerra, consome o bem mais precioso da humanidade, a vida, de forma direta e indireta. A direta é a tradicional, pela morte em combate, e pelo combate. A indireta é o custo de oportunidade, quando teu patrimônio é amealhado para o financiamento dos instrumentos da guerra (seja armas, tanques, treinamento humano), a escolha desse destino possível de recurso exclui outras duas classes de destinos possíveis:

1) Outras ações dessa instituição em seu nome;

2) Que seu patrimônio não seja retirado de ti, e então você possa diretamente empregá-lo em seu interesse e necessidade.

O alto custo da guerra, não raro, ao excluir a primeira opção inviabiliza que essa instituição empregue recursos para preservar vidas (via medicina, suprimentos, infraestrutura), e dessa forma ceifa vidas. O mesmo ocorre, não raro, ao excluir a segunda e inviabilizar a manutenção da sua vida e as do que lhe são caros por retirar de ti os recursos que a viabilizariam.

Dado o exposto, é claro que o preço da guerra é alto, a guerra custa unidades do patrimônio mais caro da humanidade, a vida. Para que finalidade essa instituição, em seu nome, estaria disposta a pagar esse preço? Seria moral, ético, útil, eficiente, racional, justo, que essa instituição o fizesse com o intuito de proibir que os próprios financiadores e partes do acordo que a instituiu pudessem consumir, ou vender aos que querem, uma lista de substâncias consideradas (não raro sem qualquer critério objetivo) potencialmente ceifadoras de vida? Ou pior, da “moral”? A troca do potencial fim de uma vida por opção, voluntária, de um indivíduo, pelo fim compulsório de outras na imposição da exclusão dessa possibilidade é algo razoável? Não estamos pagando caro demais, com um alto número de vidas, diretas e indiretas, para que essa instituição trate como incapaz o indivíduo que opta por consumir uma substância que essa instituição considera inaceitável em nome de proteger esse próprio indivíduo?

Em síntese: Não estamos pagando com muitas vidas a intervenção na autonomia da vontade daqueles que optaram por destruir (ou não) a própria?

Nem com o segundo helicóptero abatido numa cidade de um país que está oficialmente em “paz” vai ser o suficiente para provar que essa guerra é burra? O estado quando institui a Guerra às Drogas, nada mais é que um pródigo dilapidando seu maior patrimônio em um negócio sem retorno. Isso tem que parar.

Uma leitura recomendada sobre o tema: http://spotniks.com/guerra-drogas-em-quadrinhos/

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