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Procurador é o principal responsável por derrota do governo na Câmara

“Falam que vai tirar o cargo, ‘a teta’ do vereador se não votar o projeto. É natural que mudanças aconteçam na política de acordo com os acontecimentos do cotidiano da Câmara. Se os projetos não forem aprovados, o prefeito irá fazer mudanças ali na Câmara”, bastou o procurador do município, José Paes Neto, abrir a boca em um programa de rádio que a bomba explodiu. Na Câmara de Campos, ficou claro que além de não acontecer diálogo com os vereadores, a ameaça do procurador pegou muito mal.

O governo colocou em pauta na sessão desta terça-feira (17) cinco projetos de lei do chamado “pacote de maldades” de Rafael Diniz. Além de impopulares, muitos projetos eram mal feitos, com erros e vícios. Os vereadores pediam mais tempo para discutirem os projetos, mas o prefeito e o procurador quiseram colocar os projetos em votação “goela abaixo”. Juntou o desgaste com a vontade de falar bobagem, o resultado deu no que deu.




“Nem Bolsonaro que gosta de polêmica faz esse tipo de declaração. Nós sabemos que existem acordos políticos, não somos hipócritas. Mas não é assim que funciona. Não é qualquer um que vai para a imprensa e vai falar merda e vai achar que nós vamos abaixar a cabeça e engolir. O José Paes tem que procurar o que fazer na área dele e não vir dar palpite em articulação política”, disse um dos vereadores do G-8 ao ClickCampos.

Na Tribuna da Câmara as declarações foram do mesmo nível. Neném criticou a postura do procurador e do secretário Alexandre Bastos, a quem ele mandou recado. “Eu conheci o Rafael Diniz como apaziguador. Quando falei que apoiaria o Marcelo Mérida (na eleição de 2018), ele me  falou que não havia problema. Ele não fazia política ordenando nada para ninguém. Agora vai vir secretário e procurador me ameaçar? Isso não existe. Se o prefeito não me ameaça, não vou aceitar ameaça de ninguém. E Alexandre Bastos, se vier com pressão, vai tomar pressão. Podem até matar meu grupo, mas nós vamos cair atirando”, disse o vereador.

Igor Pereira também criticou a fala de José Paes e a falta de diálogo com o governo. “O que está acontecendo mais uma vez é a falta de diálogo. Agora o governo vai levantar o discurso que os vereadores estão contra a transparência e a moralidade. Já adianto que esse discurso não vai colar, por que nós queremos isso sim. Só que nós sabemos a intenção do governo com esse projeto. Eu não estou aqui para ensinar ninguém a fazer política não, mas é uma imaturidade muito grande. Estão nos ameaçando, mas ninguém aqui vai sair vitorioso em reprovar isso não”, desabafou Igor na tribuna.

Quem também criticou o procurador foi Jorginho Vírgilio, que lembrou de uma fala do prefeito Rafael Diniz criticando as ordens dadas pelo governo Rosinha aos vereadores. “Falavam-se tanto que a casa de leis não seria puxadinho do CESEC e dão um discurso desse, querendo botar vereador no bolso. Eu não estou aqui querendo jogar para a galera não, mas esse projeto rejeitado existe uma recomendação do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado que se vote ele. Mas é apenas uma recomendação. Enquanto isso existe uma decisão judicial para a Prefeitura pagar o décimo terceiro do servidor. Se for pesar os dois, a decisão judicial é muito mais pesada e a Prefeitura quer descumprir”, lembrou Vírgilio.

A maior derrota do governo Rafael Diniz na Câmara ainda pode piorar. Nesta quarta-feira (18) a Câmara deve votar mais dois projetos do pacote de maldades. Na próxima sexta-feira (20) deve ser votado em sessão extraordinária o orçamento de 2020 onde os vereadores estão propondo apenas 10% de remanejamento por parte do prefeito, diferente dos 30% que Rafael pede.  Ironicamente, o governo ainda tem um ano pela frente. E caso decida retirar os cargos dos vereadores, ficará refém da Câmara, com 10% de remanejamento, em ano eleitoral.

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