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Prestes a completar 10 anos, entenda como a CBF unificou os títulos da Taça Brasil, Robertão e Taça de Prata em Brasileirão

Em 2010, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) polemizou ao anunciar a unificação das conquistas da Taça Brasil, Torneio Roberto Gomes Pedrosa e Taça de Prata, transformando-as, assim, em títulos nacionais.

O trabalho de unificação dos títulos foi liderado pelo historiador Odir Cunha, ligado à diretoria do Santos. Após resgatar matérias da época, o profissional elaborou um detalhado dossiê. Com isso, ganhou o apoio dos presidentes de Palmeiras, Cruzeiro, Bahia, Botafogo e Fluminense, que se juntaram para pressionar a CBF.




Ainda em novembro de 2009, a CBF já havia dado indícios de que poderia acatar o pedido dos clubes. Após encontro com o então presidente Ricardo Teixeira, lideranças dos clubes ouviram um parecer otimista do homem que comandava o futebol brasileiro. “Mandaremos fazer uma análise em cada um dos setores, como o setor técnico, para ver a possibilidade de legalidade dessa iniciativa, que a princípio é factível”, afirmou Teixeira à época.

Vale ressaltar que, na época, desafetos de Ricardo Teixeira garantiram que o anúncio da polêmica decisão de unificar os títulos nacionais foi apenas para tirar o foco das recentes denúncias de corrupção que haviam sido feitas contra ele.

Taça Brasil

Disputada de 1959 a 68, e com molde semelhante às primeiras Copas do Brasil, a Taça Brasil contava com a participação de um representante por estado: o campeão estadual. Nas duas primeiras edições, portanto, contou com 16 e 17 times, respectivamente. A partir de 61, o ganhador do ano anterior passou a ter vaga assegurada na edição seguinte. Assim, São Paulo teve dois representantes em 61: Palmeiras (campeão paulista de 60) e Santos (vencedor da Taça Brasil em 60), deixando a competição com 18 times.

A competição era disputa de forma regionalizada, com grupos formados pela proximidade geográfica. Os campeões paulista e carioca tinham o privilégio de entrar já em fases mais avançadas (semifinal e quartas de final). O mesmo direito era conferido ao vencedor da edição anterior.

Torneio Roberto Gomes Pedrosa / Taça de Prata

Em 1967, o até então Torneio Rio-São Paulo deixou de ser disputado para a criação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O nome foi uma homenagem ao goleiro Pedrosa, do São Paulo e da seleção brasileira da Copa de 34, que morreu em 54 como presidente da Federação Paulista de Futebol. A edição pioneira reuniu 15 clubes de cinco estados: cinco times do Rio de Janeiro (Guanabara), cinco de São Paulo, dois de Minas Gerais, dois do Rio Grande do Sul e um do Paraná, sendo chamada popularmente de “Robertão”. No ano seguinte, a competição passou a se chamar de Taça de Prata e abriu espaço para o futebol nordestino, com 17 clubes e a participação de um representante da Bahia e outro de Pernambuco.

Nos quatro anos em que foi disputado, o Robertão teve o mesmo sistema de disputa. Os times eram divididos em dois grupos, mas todos se enfrentavam todos contra todos em turno único. Porém, se classificavam os dois primeiros de cada chave. Na fase final, os quatro clubes jogavam em ida e volta, sendo campeão o time que somasse mais pontos.

A competição seguiu até 70, quando foi substituído pelo primeiro Campeonato Brasileiro em 71, quando passou a ter oficialmente este nome, mas foi disputado sob o mesmo formato que o Robertão.

A UNIFICAÇÃO É VÁLIDA? CONFIRA AS OPINIÕES.

Em uma postagem em seu blog no site Uol, no ano de 2016, o jornalista Mauro Beting comentou sobre a importâncias desses torneios que foram referências no futebol brasileiro. O gabaritado jornalista ainda frisou sobre a importância desses atletas para a seleção brasileira.

“É crime lesa-bola menosprezar, desprezar, desconhecer ou ignorar a história e a importância e o valor dos dois torneios disputados na Era de Ouro do futebol brasileiro, entre os anos do tri mundial (1958 e 1970). Quando começou a Taça Brasil, em 1959, os 11 titulares da Seleção jogavam no país.

No bi, em 1962, a mesma história. Em 1970, no último ano do Robertão antes de começar o Brasileirão (1971), os 11 de Zagallo atuavam no Brasil. As melhores seleções da nossa história eram formadas por atletas que disputaram Taça Brasil (1959 a 1968) e Robertão (1967 a 1970).

Por tabela, os campeonatos nacionais nas décadas de 1950 e 1960 foram os mais técnicos torneios de nossa história. Se não tinham possivelmente os melhores times do mundo na época, os maiores jogadores do planeta disputaram Taça Brasil e Robertão. É fato, não fax, e nem fácil. No frigir das bolas: Taça Brasil é a mãe da Copa do Brasil; Robertão é pai do Brasileirão”, declarou.

Para Mauro Beting, como foi dito anteriormente, “a Taça Brasil é a mãe da Copa do Brasil”. Porém, em entrevista dada ao site Terra, em 2011, Odir Cunha , autor do dossiê da unificação, classifica tal argumento como “de um anacronismo atroz”.

“Essa comparação que se ouve e se lê entre a Taça Brasil e a Copa do Brasil é de um anacronismo atroz, significa, literalmente, colocar o carro na frente dos bois. Há uma grande diferença entre as duas competições, em todos os sentidos. A Taça Brasil foi a primeira e única competição nacional por oito anos e enquanto durou foi a responsável por todas as vagas de times brasileiros na Copa Libertadores da América (cujo nome original era Copa dos Campeões da América, pois só reunia o campeão de cada país).

A Copa do Brasil, criada em 1989, portanto 30 anos depois, nunca foi a competição mais importante do Brasil, nunca deu ao seu vencedor o título de campeão brasileiro e nunca reuniu apenas os campeões estaduais (na verdade, muitos times foram e são convidados sem critérios técnicos). Não se pode usar uma competição do futuro para rebaixar uma competição do passado, até porque a situação econômica, a estrutura do País era bem diferente.

Com o que se parece a primeira Copa do Mundo, em 1930, que nem teve eliminatórias e poucos times europeus? Com o que se parece os primeiros campeonatos italianos vencidos pelo Genoa, que fez dois jogos no mesmo dia e em um campo de dimensões irregulares? Não se parece nem com um torneio varzeano atual. Mas é justo equiparar um torneio de várzea com o primeiro campeonato italiano, jogado em 1898? Claro que não. Isso se chama respeito aos primórdios, respeito à história.”

Veja os títulos que a CBF vai passou a contar na lista de campeões nacionais:

Taça Brasil

1959 – Bahia
1960 – Palmeiras
1961 – Santos
1962 – Santos
1963 – Santos
1964 – Santos
1965 – Santos
1966 – Cruzeiro
1967 – Palmeiras
1968 – Botafogo

Torneio Roberto Gomes Pedrosa / Taça de Prata

1967 – Palmeiras
1968 – Santos
1969 – Palmeiras
1970 – Fluminense

FONTE: Blog do Rhyann Souza, Globoesporte.com, site Terra e Blog do Mauro Beting (site UOL).

FOTO: IVO GONZALEZ




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