Possíveis irregularidades em ‘asfaltamento’ de rodovia podem causar problemas para prefeita de Italva

Em outubro de 2018, a Justiça Eleitoral cassou o mandato da prefeita de Italva, Margareth do Joelson (PP), por entender que houve promessa de emprego para eleitores em troca de votos. Na ocasião, o marido de Margareth, o ex-prefeito Joelson, que é considerado o ‘prefeito de fato’ da cidade, disse em entrevista que a sua família era vítima de uma “injustiça”, já que a cidade “é a mais bem administrada em todo o estado do Rio”.

No entanto, alguns pontos da administração estão chamando a atenção da população e de autoridades, mas não por ser a “melhor administração do estado”, e sim, pelas peculiaridades que a prefeita vem realizando para tentar levantar a sua popularidade. Um desses pontos é o polêmico “asfaltamento” do trecho entre o Centro da cidade e a comunidade de Vila Rica.




Para tapar os buracos, a prefeitura decidiu concretar trechos da estrada. A obra é feita por uma firma local, porém, servidores da Prefeitura e funcionários de uma empresa de coleta de lixo atuaram na obra como encarregados, além de utilizar o próprio maquinário de Prefeitura, mesmo sendo um serviço pago, onde a firma forneceria o maquinário.

Além da baixa qualidade do recapeamento, haja vista que se trata de cimento em um local onde transita veículos leves e até mesmo caminhões, moradores também estranharam o fato da estrada ser de responsabilidade do Governo do Estado, onde o DER seria o responsável por um recapeamento no trecho. A forma eleitoreira como a prefeita usou a obra também gerou repercussão na cidade, onde até mesmo para “comemorar a conclusão”, Margareth fez uma carreata pelo local.

Além dos fatos já citados, outra preocupação dos moradores é que no local não existe nenhuma placa informando qual a firma é responsável pela obra, quanto foi gasto e o prazo de execução. Além disso, não há informações sobre o engenheiro que é responsável técnico pela obra, e também não têm explicações para colocar concreto onde tinha asfalto, visto que o custo para a obra fica mais caro em cerca de 30%.

Em Italva, diz-se que o responsável pela empresa que vem realizando a obra é um senhor, que por coincidência, é um velho conhecido da prefeita e do seu esposo, já que foi testemunha em alguns processos envolvendo Joelson. Um deles em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) apurou uma denúncia de campanha irregular, envolvendo Joelson, Jorge Picciani e Luiz Fernando Pezão. Em outro processo, o  suposto proprietário da empresa foi testemunha de uma briga envolvendo Joelson e um vereador.

É importante lembrar que Joelson, o marido de Margareth e o considerado prefeito de fato do município, foi cassado por realizar obras de maneira irregular enquanto era prefeito de Italva. Em despacho, o juiz Rodrigo Pinheiro Rebouças destacou que ficou demonstrado, “sem margem para dúvidas, a prática de fraude à lei de licitações em decorrência do fracionamento indevido de certames”. Na ocasião, Joelson e mais quatro secretários de obras foram condenados, ficando inelegível por 8 anos e tendo de pagar uma multa de 25 vezes o seu último salário recebido como prefeito.

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