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Pedidos de proibição à armas de verdade nos sets crescem em Hollywood: “não são necessárias”

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Enquanto atuava em quatro temporadas de ‘American Horror Story’, Leslie Grossman estima que foi chamada para atirar “várias vezes”. “Nunca são armas de verdade”, disse ela à revista Variety. “Nove em cada 10 vezes, estou usando uma pistola de borracha. Quando a cena pede um close-up mais dramático com um recuo físico, uso uma de ar comprimido, com efeitos adicionados na pós-produção para aumentar a autenticidade”.

“Eu até disse: ‘Espere, isso não vai parecer super falso?’ E eles disseram: ‘Oh, podemos consertar qualquer coisa mais tarde para que pareça super real’. E pareceu muito real”, afirmou Grossman.

O acidente mortal no set do filme independente ‘Rust’, que matou a cinegrafista Halyna Hutchins e feriu o diretor Joel Souza, envolveu uma arma de fogo real disparada pelo ator Alec Baldwin – que continha munição de verdade ao invés de festim ou outro material não leta. No rescaldo da tragédia, a indústria está lidando com a questão de se deve ou não continuar a usar armamento verídico nos sets.

Armas de verdade não são necessárias em filmes e programas de TV, dizem os especialistas, em meio a pedidos de proibição permanente nos sets. Imagem: Kiattipong/Shutterstock.com

Em resposta à tragédia, várias produções já afirmaram que armas de verdades serão proibidas nos bastidores. O drama policial da ABC ‘The Rookie’ proibiu pistolas de fogo reais, enquanto Eric Kripke, showrunner da série de super-heróis do Amazon Prime Video ‘The Boys’, declarou que estava assumindo “uma promessa simples e fácil: nunca mais utilizar armamento em qualquer um dos sets”.

Uma petição do site Change.org para proibir armas reais em produções de cinema e TV tem quase 70 milassinaturas. O senador da Califórnia Dave Cortese já anunciou que planeja apresentar uma legislação para proibir oficialmente qualquer tipo de armamento de fogo e munições reais de todos os sets em Hollywood. A governadora do Novo México, Michelle Lujan Grisham, afirmou que o estado tomará medidas semelhantes.

Bandar Albuliwi, cineasta e autor da petição do Change.org, não acredita que a prática de usar armas de fogo reais continuará, citando as mortes do ator Brandon Lee no set de ‘O Corvo’, de 1993, e da cinegrafista Sarah Jones em 2014 nos bastidores de ‘Midnight Rider’ (filme que nunca foi finalizado) como exemplos que deveriam ter tornado a segurança “uma prioridade em toda a indústria”.

“Isso não deveria ter acontecido depois que Brandon Lee basicamente atirou em si mesmo”, disse Albuliwi à Variety. “Hollywood não mudou em 30 anos. Mais uma vez, pensamos que tínhamos aprendido nossa lição sobre protocolos melhores com ‘Midnight Rider’. Isso causou um certo rebuliço, mas se dissipou. Isso fala muito sobre a nossa indústria porque, neste evento, isso só chamou a atenção porque envolveu um ator de nível como Alec Baldwin”.

Brandon Lee, filho de Bruce Lee, também foi morto por tiro acidental em filmagens. Imagem: Buena Vista Pictures/Divulgação

Durante décadas, armas cenográficas (reais, mas com munição falsa) foram usadas em produções de cinema e TV porque recriam visualmente tiros de verdade. Vários membros da indústria e especialistas em efeitos visuais, todos os quais falaram à revista sob condição de anonimato, disseram que os avanços na tecnologia significam que o banimento do armamento resultaria em praticamente nenhum sacrifício para a aparência de um conteúdo finalizado.

“Fazer apenas um flash e um barulho não é nada”, disse um artista de efeitos especiais. “São minutos de trabalho por foto – talvez um pequeno brilho, talvez um pouquinho de luz interativa. Só”. Ele ainda argumento que é necessário um esforço mínimo na pós-produção para fazer com que uma arma falsa pareça ter sido utilizada – algo que, segundo ele e outros especialistas,, é facilmente criado com software usado por editores até em home office.

Sequências mais elaboradas envolvendo tiroteios, especialmente aquelas que envolvem um ator em reação aos efeitos de uma arma avassaladora, podem exigir um trabalho de efeitos visuais mais intenso. “É essencialmente uma modificação de desempenho, e isso é o que levaria [o esforço] para o próximo nível”, diz outro profissional da área. Mas, nesses casos, o artista observa que o ator ou atriz em cena pode “atuar melhor” nesses casos, visando realidade.

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Tirar armas de fogo reais dos set também removeria riscos potencialmente letais causados pelo tipo de negligência que foi alegada ter ocorrido em ‘Rust’ – da contratação de “fura-greves” a protocolos inadequados de manuseio de armamento. Ainda à Variety, veteranos de produção, disseram que os protocolos de segurança padrão de Hollywood costumam passar despercebidos, principalmente em produções independentes.

“Os sindicatos exigem aulas de segurança por meio do CSATF”, disse um dos principais coordenadores de produção, referindo-se ao contrato digital Contract Services, que oferece atestado e treinamento para funções em filmagens. O documento ainda garante que os funcionários participem de cursos exigidos pelo estado, como educação sobre assédio sexual e, é claro, segurança nos sets.

“Devemos verificar a situação de cada membro da equipe antes de serem contratados”, explicou o coordenador sobre algo que não aconteceu em ‘Rust’. “Infelizmente, as pessoas não costumam fazer isso”.

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