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A nossa bastilha caiu!

Esta crise braba que assola os estados e municípios do Brasil tem que servir para alguma coisa. Não é possível que os gestores de todos os níveis (federal, estaduais e municipais) se comportem como “Marias Antonietas”, no fragor da grande Revolução Francesa. Até porque não há brioches para todo mundo. A derrocada do Poder Público brasileiro é a Queda da  nossa da Bastilha.

O Brasil tem que sair maior dessa overdose de roubalheira, corrupção e impunidade. Não somos mais uma republiqueta terceiro mundista. A crise do tempo presente é o vazadouro de séculos de malversação do dinheiro público, é o esgotamento de um establishment esgarçado por velhos e novos coronéis da Política.

O povo vai cortar cabeças. O plenário da Câmara Federal foi invadido e não houve grades que fossem capazes de conter os manifestantes em redor da Assembléia Legislativa do Rio. Não coincidentemente, o mesmo local, onde há 2 séculos e meio o alferes Tiradentes era sacrificado por pregar a liberdade para o povo brasileiro.

Os Estados estão ingovernáveis. Soleira da porta da violência urbana, do caos anunciado.

Sobre a falta de leitos e insumos em hospitais, sobre a escolinha que mais aliena que educa, sobre as valas abertas de esgoto, sobre as moradias de merda, casas  pagas à preço de ouro, mas na verdade, verdadeiros muquifos, sobre as favelas intermináveis, sobre  as endemias e epidemias, sobre as crianças vitimadas pela evitável microcefalia, irremediavelmente, sobre a miséria brasileira, é que se ergueram as grandes mansões, as fazendas, as contas no exterior dos gestores mais cretinos e criminosos do Mundo.

O alicerce da elite brasileira é podre.

O sistema transbordou e deixou à mostra as roupas de baixo das oligarquias seculares  do Nordeste, dos clãs modernosos do Sul maravilha, mas tão perversos quanto. Os “honoráveis bandidos” que sempre nos governaram não contavam que no meio do seu caminho haveria uma revolução tecnológica, que iluminaria os porões mantidos lacrados até então, com a conivência de muitos setores dos andares de cima de nossa pirâmide social, mormente das portentosas redes de comunicação, verdadeiros partidos políticos, aliados do velho Poder: as intuteláveis redes sociais, que disseminaram a informação como um vírus.

Também ficaram à mostra os bunkers do Judiciário e do Legislativo. Lá, escondidos estão ministros das altas cortes, procuradores com salários astronômicos, elevados a quinta potência pela esperteza desonesta, justificada pela burocracia criminosa.

Informação é a moeda do tempo presente.

O povo, então, decidiu convocar para o exercício do Poder a esquerda, até então, mantida sob rigorosa vigilância. Era a aurora prometida. O que não se podia prever é que a força política alternativa traria consigo os vícios que condenava. Não havia nada novo, mas remendado. Projeto de País, Educação libertária, taxação das grandes fortunas, Saúde universalizada, que nada! A visão do cofre aberto cegou os camaradas, que optaram pelo seu “pirão primeiro”.

No Brasil e só aqui, os socialistas moram no “grande Leblon” e são votados pelos ricos. O razoável seria que, por sustentarem a tese do homem novo, tivessem a simpatia e aliança das classes subjugadas pelo “Capital”. Mas, que nada, as recentes eleições do segundo turno do Rio, deixaram como uma fratura exposta que os conceitos de esquerda e direita, por aqui, são uma abstração. Crivela, o bispo fundamentalista da Universal, arrebanhou a votação suada das zonas norte e oeste do Rio, onde mora a “gente humilde”; Freixo, o socialista bonzinho ficou com o voto dos capitães do PIB e seus descendentes, tratados “a toddinho e filé mingnon”.

A ordem está fora de alguma coisa!

E é muito bom que esteja mesmo. Desde as caravelas de Cabral, Pindorama é a mesma. Ou quase. “Vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação”. Num mesmo dia dois ex-governadores vão para a cadeia, grandes capitães do PIB brasileiro tamnbém foram fichados pela Polícia, empreiteiros enjaulados e a Operação Lava Jato devolve mais de 200 milhões a Petrobras saqueada. Não é nada, não é nada, é a porta de entradade um novo país. Tomara.

(FLF)

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