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Mensagens indicam que Garotinho ajudou duas investigadas a fugirem

 Mensagens interceptadas ao longo da “Operação Chequinho” indicam que (PR), preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira, auxilou a fuga de duas investigadas que, à época, estavam foragidas da Justiça. No dia 23 de outubro do ano passado, a então vereadora eleita Lindamara disse ao filho, pelo WhatsApp, que Garotinho havia reservado um hotel e orientado que ela fosse ao Rio. A ex-secretária de Assistência Social Ana Alice Alvarenga também fez parte da viagem. As duas foram presas preventivamente na semana seguinte, acusadas de participação nas fraudes do programa Cheque Cidadão, mas já estão em liberdade.

Garotinho já está em Campos, onde vai cumprir prisão domiciliar. Além da medida cautelar, ele foi condenado a 9 anos de prisão em regime fechado por compra de votos (crime de corrupção eleitoral) — esta condenação precisa ser confirmada em segunda instância para passar a vigorar.

Segundo a Justiça, a ida ao Rio era uma forma de auxiliar a a “subtração dos foragidos à ação de autoridade pública”. A investigação aponta que, além de dificultar que elas fossem encontradas, o encontro tinha o objetivo de bolar uma estratégia conjunta de reação às apurações que estavam em andamento. As mensagens foram interceptadas com autorização judicial.

Lindamara — “Garotinho pediu pra gente ir”

Filho — “Pro Rio?”

Lindamara — “Isso. Vai pagar hotel.”

Também no dia 23, a vereadora reforçou a outro interlocutor que iria ao Rio no dia seguinte. No dia 24, ela conversou com um funcionário da prefeitura de Campos e informou que já estava hospedada. “Chegamos. Estamos nos instalando no hotel.” No mesmo dia, ela mandou uma mensagem para Garotinho. “Já estamos chegando. Vai dar tudo certo”.

“As mensagens acima indicam que o réu (Garotinho) e outros agentes integrantes da associação criminosa e sob o seu comando praticaram, em tese, o crime de favorecimento pessoal, já que as pessoas mencionadas nas mensagens interceptadas pela Polícia Federal estavam com a prisão decretada por este juízo, tendo aquele grupo auxiliado a subtração dos foragidos à ação de autoridade pública”, escreveu o juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral de Campos, na sentença.

AMEAÇA À TESTEMUNHA

Na sentença, o juiz afirma também que o “grupo criminoso” comandado por Garotinho coagiu e intimidou testemunhas, “inclusive com emprego de arma de fogo”. A testemunha Elizabeth Gonçalves dos Santos, conhecida como Beth Megafone, relatou à PF duas ameaças. Em um dos episódios, ela contou que estava num ponto de ônibus quando dois homens em uma moto sem placa subiram a calçada. Ao pensar que era um assalto, fez menção de entregar o celular, mas um dos homens perguntou se ela era a “Beth Megafone” e em seguida afirmou “Cala sua boca, porque assim como nós te achamos hoje, achamos você e sua família em qualquer dia, em qualquer lugar”. Em seguida, os dois saíram com a moto

OUTRO LADO

Em nota, o advogado Carlos Azeredo, responsável pela defesa do ex-governador, afirmou que a decisão da prisão domiciliar tem o objetivo de evitar que Garotinho “continue denunciando políticos importantes”. A defesa nega as acusações de compra de votos.

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