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Menos privacidade, mais pornografia: os efeitos da pandemia no sexo

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Diferentes estudos mostram como ansiedade, insegurança e falta de privacidade afetaram o desejo das pessoas São tantos os assuntos interessantes relacionados à longevidade que só agora vou conseguir escrever sobre o World Meeting of the International Society for Sexual Medicine, evento on-line que aconteceu entre 19 e 21 de novembro. A medicina sexual se ocupa dos distúrbios relacionados com as funções sexuais, um universo multifacetado que abrange de pacientes sem desejo a sobreviventes de câncer com sequelas que os impedem de ter prazer. Uma palestra me chamou a atenção no dia da abertura: a médica Annamaria Giraldi, professora da Universidade de Copenhague, falou sobre o impacto da Covid-19 na saúde sexual, explicando que as consequências da pandemia se entrelaçam com as ocorridas na vida social e na saúde mental.
Annamaria Giraldi, professora da Universidade de Copenhague: ansiedade, insegurança e menos privacidade impactaram o sexo durante a pandemia
Divulgação
“Do ponto de vista mental, as pessoas tiveram que lidar com um contexto totalmente desconhecido que gerava enorme estresse. Além do isolamento, elas enfrentaram o medo de perder o trabalho, a insegurança financeira, distúrbios de sono e depressão. No aspecto sexual, o fato de os casais passarem mais tempo juntos por causa da quarentena até poderia, potencialmente, funcionar para resgatar a intimidade. No entanto, se tinham filhos, havia menos privacidade e suporte familiar. Ansiedade, frustração e medo resultaram num quadro de aumento da violência contra as mulheres, sendo que muitas tiveram problemas de acesso a contraceptivos e aos serviços de saúde, numa situação de flagrante vulnerabilidade. Já no começo da pandemia, foi possível medir o crescimento do consumo de pornografia em 11.6%”, afirmou, referindo-se a estudo publicado no “Journal of Behavioral Addiction”.
Ela apresentou pesquisa realizada na Itália, quatro semanas depois do início da quarentena, com 1.576 participantes. No grupo, 65% eram mulheres e 35% homens; 67% tinham entre 31 e 46 anos; e 97% estavam numa relação estável. Para 35% das mulheres e 36% dos homens, o número de relações sexuais por semana havia caído para zero nesse período. No que dizia respeito ao autoerotismo, 60% das mulheres e 64% dos homens declararam que o desejo permanecia inalterado; entre aqueles que passaram a se masturbar menos, os principais motivos alegados foram a falta de privacidade e de desejo.
Nos Estados Unidos, 1.051 indivíduos recrutados em outubro de 2020 responderam a uma pesquisa on-line na qual tinham que detalhar seu comportamento sexual e nível de satisfação antes da pandemia e durante a quarentena. Foi identificada uma redução da atividade sexual com parceiros – entre os homens, o consumo de pornografia e a prática de masturbação haviam crescido. Homens e mulheres relatavam uma diminuição no prazer e, como era de se esperar, casos extraconjugais e encontros de sexo casual foram os que tiveram a maior variação negativa.

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