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Lucas Moura acredita que Tottenham pode se firmar como potência global

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No norte de Londres, a região de Tottenham engloba uma população marcada pela diversidade. Poucos lugares têm no futebol um símbolo tão forte da sua comunidade. É isso que mantém o Tottenham como um dos maiores clubes da Inglaterra, apesar de ter conquistado apenas dois campeonatos ingleses (1950-51 e 1960-61). O jogador que faz sucesso pelo clube se torna um ídolo local e nacional. Neste momento, o atacante Lucas Moura ocupa esse espaço.

Ele tem sido um dos principais destaques da equipe nas rodadas mais recentes. Fez dois gols importantes, um deles um golaço de fora da área, contra o Norwich, e foi para muitos o brasileiro com melhor rendimento entre novembro e dezembro na Premier League. O outro gol foi no famoso Boxing Day, em 26 de dezembro, na vitória por 3 a 0 sobre o Crystal Palace.

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“Estou muito contente com meu desempenho nos últimos jogos, assim como o time eu tenho crescido durante a temporada. A equipe tem evoluído bastante, coletivamente estamos muito fortes, o time tem feito jogos bem sólidos, é muito difícil furar nossa defesa. O time está bem compacto e organizado, estou muito contente, se continuarmos nesse caminho podemos almejar coisas grandes nessa temporada, mas é continuar trabalhando porque ainda falta muita coisa”, diz o jogador.

Ao percorrer as ruas como um cidadão local, Lucas, de 29 anos e 1m72 de altura, percebe cada vez mais essa relação íntima que o clube tem com seus torcedores.

“Minha relação com a torcida é muito boa, uma troca muito bacana, o torcedor me acolheu muito bem desde o primeiro dia, recebo muito carinho deles quando encontro nas ruas, nas redes sociais, até mesmo nos estádios, é muito bacana a relação que eu tenho com o torcedor. O torcedor do Tottenham é muito apaixonado, muito ligado ao clube independentemente do momento, lota sempre os estádios, dentro e fora de casa, cantando e apoiando. Procuro estar cada vez mais envolvido com eles, seja interagindo pessoalmente, seja nas redes sociais e também depois dos jogos”, afirma, mostrando que o Tottenham, para além do futebol, simboliza um estilo de vida.

Lucas tem feito uma carreira consistente na Europa. Chegou ao Paris Saint-Germain no início de 2013, vindo do São Paulo, e permaneceu no clube francês até 2018, quando se transferiu para o Tottenham. Acabou, com isso, conhecendo duas marcas que, de diferentes formas, estão em busca de ampliar mercados, impulsionados pela globalização no futebol.

NOVO ESTÁDIO – Segundo a consultoria Deloitte , o Tottenham teve receitas de 216 milhões de euros em 2014 (hoje R$ 1,3 bilhão). E teve um crescimento de 98% das receitas, em apenas quatro anos, já que, em 2018, o clube faturou 428 milhões (hoje R$ 2,7 bilhões). Isso se deve, em grande parte, à estratégia da diretoria de equilibrar gastos, apostando mais em revelações, e de aumentar seu retorno com bilheteria e outros produtos.

Vale lembrar que na temporada 2017-18, o Tottenham recebeu seus jogos no estádio de Wembley , que teve uma média de cerca de 70 mil pessoas por partida da equipe, enquanto o antigo White Hart Lane, onde o clube atuou até maio de 2017, tinha capacidade para receber 36.230 pessoas.

Lucas estava no clube inglês, quando, neste projeto de modernização, o Tottenham trocou seu centenário estádio pela arena Tottenham Hotspur Stadium, em 2019. O novo local também aumentou o ganho com bilheteria em relação ao antigo estádio. Pode receber até 62.850 pessoas.

“(PSG e Tottenham) São dois grandes clubes, dois clubes muito poderosos, cada um com seu perfil, mas que no fim das contas cada um busca seu espaço, busca títulos em suas ligas e em seus países. O PSG é um pouco mais agressivo no mercado, contratando jogadores até mais velhos, mas grandes estrelas. E o Tottenham é um pouco mais cauteloso, aposta em mais jovens com grande talento e futuro muito promissor. São duas grandes potências”, observa.

Atualmente o Tottenham está em sexto lugar na Premier League. Lucas diz a equipe já se sente credenciada a retomar o caminho dos títulos nacionais e conquistar pela primeira vez a Liga dos Campeões.

A chegada do treinador italiano Antonio Conte, no início de novembro último, também ajudou no melhor rendimento de Lucas. E nos bons resultados da equipe.

“Cada treinador tem sua filosofia, uma maneira de pensar e enxergar o futebol diferente. O Conte dispensa comentários, é um treinador com currículo fantástico, um grande vencedor. O ponto principal da mudança é a agressividade do time, a intensidade, dando pouco espaço para o adversário. Taticamente mudou bastante, com o sistema que ele gosta. O time encaixou bem neste sistema, está muito organizado e sintonizado, entende o que ele pede, além de treinar muito cada movimento”, diz.

Sobre seu estilo, Lucas ressalta que tem atuado do jeito que mais gosta, apesar de dizer que, na Europa, também se tornou mais versátil.

“Meu estilo de jogo é muito claro, sou um jogador que gosta muito de acelerar o jogo, de criar situações de gols para os atacantes. Gosto de vir com a bola dominada, de driblar, ir para cima da marcação, sempre em direção ao gol e com objetivo. Acho que isso agrada aos torcedores, principalmente pela entrega, os torcedores gostam disso e eu sempre vou dar meu máximo pelo time”, destaca.

SELEÇÃO COMO OBJETIVO – Quando ele fala sobre sua versatilidade, tem em mente um objetivo que não lhe sai da cabeça: o retorno à seleção brasileira. “A seleção sempre esteve na minha cabeça, sempre foi um grande objetivo e disputar uma Copa do Mundo sempre foi um sonho. Acredito que ainda está em aberto, acho que tem muita coisa para acontecer e eu tenho muita esperança. Tenho que continuar batalhando, fazendo meu papel aqui e acredito que tenho chances sim. Além disso, hoje sou um jogador mais versátil, tenho feito outras funções também, então isso pode ser uma vantagem”, afirma.

Com a equipe já classificada para a próxima Copa do Mundo, o técnico Tite deverá dar chances para novos jogadores, tentando encontrar as melhores possibilidades até a convocação final. E Lucas mostra muita confiança em fazer parte do elenco que disputará a próxima Copa do Mundo. Principalmente por estar se firmando a cada dia na Premier League.

“Vou lutar, batalhar bastante até quando for possível, sei da minha capacidade, sei também que não é fácil jogar em alto nível na Premier League, ser titular aqui, a liga mais competitiva do mundo na minha opinião. Isso reforça muito meu sonho, me dá mais esperança”, acrescenta.

No momento em que marcou um golaço contra o Norwich, na vitória por 3 a 0, em 5 de dezembro, Lucas foi ovacionado pelo estádio e levantou os braços em direção ao céu. Vivenciou uma emoção especial. “Foi um belo gol, é difícil falar se foi o mais bonito na minha passagem pela Europa, mas com certeza foi um dos. Fiz alguns gols bonitos também pelo PSG, mas sem dúvida no Tottenham acho que foi o mais bonito. Falei outro dia em entrevista que não faço tantos gols como o Harry Kane e o Son, mas, de vez em quando, saem alguns gols bonitos (risos).”

Lucas aprendeu que jogar no Tottenham significa também se envolver com toda a região, cujo nome, segundo consta, veio de um fazendeiro de nome Tota. Por volta do ano de 1086, Tota era proprietário de terras da região. Ham, de hamlet, em inglês, quer dizer aldeia. Tottenham, a aldeia de Tota. Tudo começou com Tota. Fundado séculos depois (em 1882), o Tottenham ajudou a transformar a região em uma aldeia global. Agora, com a ajuda de Lucas.

“Cheguei um pouco mais para frente na história do clube, mas pegando essa nova era no Tottenham, esse novo estádio, esse crescimento diante das grandes potências globais, brigando com grandes clubes da Premier League e da Champions League, chegando à final em 2019. Fico muito honrado e feliz de ter participado do projeto do PSG lá no início e ver o que se tornou hoje. E também me honra muito fazer parte da história do Tottenham”, completa.

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