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A insistência no argumento que não convence ninguém é o principal erro da defesa de Garotinho

Falar sobre a prisão de Garotinho em Campos, agita os ânimos de aliados e opositores. Isso se dá por conta da figura polêmica que é Anthony Garotinho. Sem dúvidas nenhuma, é um dos políticos mais importantes da história da cidade de Campos, que já teve um presidente como Nilo Peçanha. Personagem folclórico na política nacional, gostando ou não da política praticada por Anthony Garotinho, estamos falando da prisão de um político que ficou em 3° lugar em uma eleição presidencial.

Garotinho teve uma ascensão meteórica na política. Assumiu a prefeitura de Campos em 1989, e 13 anos depois estava em uma disputa presidencial. Conquistou notoriedade devido ao seu alto poder de articulação nos bastidores e pela pratica de uma política populista – criticada por muitos. Durante sua trajetória na vida pública, Garotinho denunciou vários poderosos, como ele mesmo diz. Porém, em algumas ocasiões essas denúncias aconteceram por conflito de interesses.

Desde a prisão de Anthony Garotinho na última quarta (13), a defesa do condenado representada pelo advogado Carlos Azeredo, e também a sua esposa, Rosinha Garotinho, passaram a argumentar tentando negar que ele tenha cometido o crime mais leve, mas se esquecem das acusações mais graves.

O grande erro da defesa de Garotinho e dos seus correligionários é querer argumentar o que não há argumento. Em momento algum até aqui, a defesa veio à público argumentar negando que ele tenha atrapalhado as investigações, e que o seu grupo utilizou armas de fogo para intimidar testemunhas. Essas são as acusações mais graves, que mais pesaram em sua condenação, mas parece passar desapercebido pela defesa.

O principal argumento é “comprar votos não da cadeia”, e é verdade. Porém, todos sabem que o motivo da prisão não foi apenas uma possível compra de votos, e sim, por atrapalhar o andamento das investigações destruindo provas, ameaçando testemunhas com armas de fogo, e incitando a opinião pública contra autoridades do judiciário. O argumento de “preso por dar comida aos pobres” é infantil, bobo, e em pleno 2017, a informação está disponível em todos os meios possíveis. Não adianta insistir em algo que não vai ser “digerido”.

“A culpa é do Zveiter”, de fato é uma possibilidade, não podemos garantir que o ex-manda chuva do judiciário fluminense não possa ter alguma influência na condenação, aliás, é algo que jamais poderá se dizer com certeza se houve ou não. Porém, as provas anexadas no processo são muito fortes e categóricas. Depoimentos de várias assistentes sociais, candidatos não eleitos que falaram abertamente como acontecia o esquema, inclusive um telefonema grampeado de uma pessoa da família de Garotinho dizendo que aquilo ali iria acabar em problema. Tudo isso pesou na condenação.

Vale salientar que a prisão domiciliar é uma medida cautelar, já que se o TRE condenar Garotinho em segunda instância, a pena deverá ser cumprida em regime fechado, isto é, em presídio. O que nos mostra que a situação é ruim, mas poderá ser pior.

A prisão de Garotinho sem dúvidas nenhuma é muito prejudicial para a imagem da cidade de Campos, porém, era algo que já era anunciado e previsto – inclusive pelo Garotinho – e por membros de sua família há alguns meses.

 

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