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IMTT impede que empresa com sistema de bilhetagem mais barato atue no novo modelo de Transporte Público

Que o novo modelo do transporte público de Campos tem causado grandes polêmicas, não é novidade pra ninguém. Os problemas vão desde concessões de linhas para parentes de dirigentes do IMTT, terminais improvisados e instalados sem autorização dos órgãos competentes, além de outros problemas. No entanto, agora surge um novo capítulo desta história.

Mais uma vez os holofotes se direcionam para a escolha da empresa Billing Pay, que atua na cidade com o nome fantasia Anda Campos. Em agosto deste ano, o ClickCampos divulgou com exclusividade a curiosa licitação de bilhetagem do transporte que teve a empresa como vencedora. Por coincidência, a Anda Campos teria sido criada cerca de um mês antes do edital de licitação do novo modelo de transporte e movimentaria milhões de reais, que podem inclusive passar da casa dos R$ 10 milhões.




Se a criação repentina da empresa e a sua participação no processo licitatório milionário já geravam suspeitas antes, agora os motivos para redobrar a atenção ficaram bem mais evidentes.

Acontece que a Rio Card Mais, maior empresa de bilhetagem eletrônica do estado, que opera em Campos desde 2007, vem enfrentando uma série de dificuldades para participar do Novo Modelo de Transporte de Campos.  Mesmo possuindo toda a documentação necessária e ofertando um modelo de negócio mais barato, tanto para as empresas de ônibus, quanto para os permissionários e passageiros, a empresa esbarra com resistência da prefeitura para receber a homologação junto ao IMTT.

Para se ter uma ideia, na porcentagem de transação cobrada pelas empresas aos permissionários, a Rio Card Mais cobraria aproximadamente a metade do que a Anda Campos. Já para o passageiro, a Rio Card Mais cobraria apenas R$ 3 pelo bilhete, e caso o usuário não precise mais do sistema e decida devolver o bilhete, a empresa também devolveria os R$ 3 que foram pagos, como funciona na capital do estado. Já a Anda Campos cobra do passageiro R$ 5 e não oferece a possibilidade de devolução do dinheiro caso o passageiro queira devolver o bilhete.

Além disso, o modelo oferecido pela Anda Campos cobrará dos permissionários e empresas de ônibus uma tanto o aluguel das máquinas de validação, quanto uma taxa de manutenção para a utilização das mesmas. Já a Rio Card Mais não cobraria nenhuma outra taxa além da porcentagem por transação.

Mas apesar de tudo isso, o IMTT segue sem autorizar a homologação da empresa Rio Card Mais, fazendo com que seja incentivado o monopólio dos validadores da empresa Anda Campos.

A decisão do IMTT gera dúvidas, como por exemplo: A quem interessa fazer com que uma empresa aberta de forma repentina para participar de um processo licitatório considerado tão suspeito, com condições bem menos vantajosas para empresas de ônibus e permissionários, seja a única a operar em totalidade no município? Ainda vamos falar disso nos próximos dias.

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