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Governo tenta manobra na câmara e José Paes Neto pode ter salário quase triplicado

Nesta quarta-feira (18), o legislativo de Campos votaria um projeto de lei para aumentar cargos e salários de servidores da Câmara Municipal. Um desses servidores que seria contemplado é ninguém menos que o atual procurador do município, José Paes Neto, que é concursado da Câmara.

O cargo de José Paes na Câmara é analista legislativo, com salário de R$ 3.600 e com obrigação de cumprir 40 horas semanais. Com a manobra, passaria a ser procurador legislativo,  tendo o seu salário praticamente triplicado, passando para incríveis R$ 9mil. Além disso, teria de cumprir apenas 20 horas semanais. O projeto é tão estranho, que outras áreas que possuem o mesmo cargo de analista legislativo, fora da área do direito, teriam apenas uma correção salarial e continuariam tendo de cumprir 40 horas semanais.




Por ser inconstitucional, o projeto dividiu opiniões na Câmara, fazendo com que a base do governo ficasse receosa em votar, mesmo recebendo telefonemas do prefeito Rafael Diniz pedindo que o projeto fosse aprovado. O resultado foi a ausência de toda a base aliado ao governo nesta quarta, fazendo com que não tivesse sessão por falta de quórum. Estiveram presentes apenas os vereadores Igor Pereira, Ivan Machado, Alonsimar, Eduardo Crespo, Josiane Morumbi, Paulo Arantes e Renatinho do Eldorado.

O projeto continua em pauta e deve ser votado nas próximas sessões da Câmara de Campos.

HISTÓRICO NÃO MUITO AGRADÁVEL
Em 2018, o procurador José Paes tentou negociar uma dívida de R$ 15 milhões com um hospital contratualizado. Mesmo com a Prefeitura historicamente argumentando que não devia o valor, José Paes abriu a negociação com a instituição. Os termos da negociação não foram vistos com bons olhos pela justiça, e o juiz Cláudio França pediu para que fosse paralisada qualquer negociação que envolvesse o José Paes e o responsável pelo hospital.

Em 2019 o ClickCampos revelou com exclusividade que o procurador negociou o “perdão” da dívida do Grupo IMNE com a Prefeitura no Campos, em valores que beiram os R$ 100 milhões. Na época, o vereador afirmou que iria até a Câmara se explicar, mas ficou apenas na promessa.

No final de 2019, “Zé” Paes deu uma declaração em um programa de rádio ameaçando vereadores, colocando em dúvida a independência dos poderes em Campos. Segundo José Paes, vereador que não votasse a favor dos projetos poderia perder cargos no governo, o que aconteceu.

José Paes também tem a rejeição dos médicos, que durante o movimento grevista reivindicavam que o prefeito Rafael Diniz exonerasse o procurador de maneira imediata, para assim poder abrir diálogo com a classe.

Com um histórico tão estranho, talvez realmente seja o momento de José Paes já começar a pensar em 2021, na sua vida pós-governo.




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