Campos

Garotinho fugiu ao saber de presença da PF antes de ação que prendeu dois vereadores

O ex-governador do Rio Anthony Garotinho sabia que poderia ser preso pela Polícia Federal a qualquer momento. É o que revela uma conversa dele com o secretário de Paz e Defesa Social de Campos, Alcemir Pascuotto. A escuta foi feita pela PF com autorização na Justiça.

No dia 19 de outubro, uma operação da PF prendeu dois vereadores de Campos, aliados de Garotinho, acusados de usar o Cheque Cidadão para compra de votos. Na gravação, o ex-governador diz achar que não é o alvo naquele momento, mas mostra preocupação com o envolvimento de testemunhas.  Pascoutto se compromete a pegar os detalhes sobre a operação.

GAROTINHO- Oi.
PASCOUTTO- Oi, oi, mestre. Deixa eu pegar todo o, toda a…
GAROTINHO- Oi, oi.
PASCOUTTO- Deixa eu pegar os detalhes todinhos aqui… eu passo aí, tá bem?
GAROTINHO- Tá. Nós já saímos.
PASCOUTTO- Tá bom, eu sei. Pode ficar tranquilo que eu já vou fechar tudinho aqui agora e te dou um retorno.
GAROTINHO- Mas eu acho que não tem nada com a gente, não.
PASCOUTTO- Eu também, eu tenho quase certeza absoluta. Deixa eu só confirmar
tudinho aqui e falo… e falo pro mestre.
GAROTINHO- Sou eu mesmo!
PASCOUTTO- Então… Eu falo. Pode deixar.
GAROTINHO- Tá bom.
PASCOUTTO- Tá bom?
GAROTINHO- Eu acho que tem é… testemunha… Não sei nem se é vereador não, acho que tem gente que foi candidato…
PASCOUTTO- É! Mas deixa, deixa eu só pegar tudinho, tá bem?
GAROTINHO- Tá bom!
PASCOUTTO- É rapidinho.

Na interpretação dos investigadores, quando o ex-governador afirma ‘Todos nós já saímos’, ele quer dizer que já deixou a cidade junto com a família dele.

Garotinho foi preso na quarta-feira por coação de testemunhas e envolvimento no esquema de compra de votos através do Cheque Cidadão. O secretário Alcemir Pascoutto, que é coronel do Corpo de Bombeiros, deve ser indiciado por favorecimento pessoal.

De acordo com a investigação, ele é o responsável pela organização da logística de segurança da família Garotinho. Em entrevista à rádio CBN, Pascoutto negou que Garotinho tenha solicitado informações sobre a operação da Polícia Federal.

‘Eu desconheço. Até porque não fui perguntado em nenhum momento sobre nada a respeito. Eu não tenho nada a declarar a respeito disso’, disse Pascoutto.

A gravação faz parte do inquérito da Operação Chequinho, que aponta Garotinho como o comandante de um esquema de corrupção eleitoral. O inquérito diz que duas testemunhas foram gravemente ameaçadas e coagidas a mando do ex-governador. Ele está preso no Hospital Penitenciário de Gericinó em Bangu, Zona Oeste do Rio.

Com informações da rádio CBN

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