Fornecedores de medicamentos da Prefeitura são suspeitos de fraude em licitação, superfaturamento e até inexistência

Apesar de ter o maior orçamento da história do município na área da Saúde, quem precisa usar a rede municipal de saúde sabe que a atual situação não é das mais fáceis. Por isso, o prefeito Rafael Diniz decidiu tornar a administração mais “política”, nomeando o ex-vereador Abdu Neme para o comando da pasta, onde ele entendia que era um ponto vital do governo e que mudanças deveriam ser feitas.

Agora, pouco mais de 3 meses após Abdu assumir a pasta, pouca mudança foi vista. Além do constrangedor duplo adiamento da UPH da Baixada, quase nada de novo foi visto. E entre os problemas mantidos, chamam a atenção os altos gastos com medicamentos e insumos, mas que a população garante que ainda existe falta de medicamentos e insumos nas unidades de saúde. Em um levantamento feito pelo ClickCampos, verificamos as empresas que mais prestam serviços para a pasta da Saúde e iremos detalhar nesta e em outras matérias.

No Portal da Transparência, quem nada de braçadas nos últimos 4 meses é a empresa BMC, que em apenas 4 meses, forneceu R$ 4.738 milhões em medicamentos para a Prefeitura de Campos. Se mantivermos a média dos valores, em um ano a empresa fornecerá cerca R$ 12.443 milhões para a Prefeitura de Campos. A empresa leva as iniciais do dono, Bruno Melo Correa, morador de Araruama, é nova nas licitações em Campos, mas o dono, é um velho conhecido dos bastidores da política fluminense.

Em 2008, Bruno foi nomeado como Auxiliar Legislativo no gabinete do deputado Marcos Abrahão, atualmente do Partido AVANTE. O político atualmente está preso desde a operação Furna da Onça. Ele é acusado de comprar votos na ALERJ em defesa de Cabral e Pezão.

Publicação em Diário Oficial a nomeação de Bruno em 2008.

O dono da BMC também já enfrentou problemas jurídicos. Em 2017, ele e a sua mãe, Arlete Melo Correa, antiga proprietária da empresa BMC, tiveram os bens bloqueados pelo Ministério Público em uma operação que resultou no afastamento do prefeito de Búzios, André Granado, por supostas irregularidades em licitações. O prefeito de Búzios continua afastado do cargo e as investigações continuam.

Na mesma operação do Ministério Público, algumas coincidências aconteceram. Além de Bruno e Arlete, algumas empresas também tiveram os seus bens bloqueados, onde a maioria dessas empresas são fornecedoras de medicamentos. O bloqueio dos bens de todos os réus, incluindo o prefeito André Granado e de Bruno e sua mãe, tiveram como objetivo ressarcir o prejuízo causado aos cofres públicos, estimado em cerca de R$ 20 milhões. Uma das empresas que teve os bens bloqueados chamou a atenção da equipe do ClickCampos. É a empresa AVANT DE ARARUAMA BAZAR LTDA, onde por coincidência, possui um nome parecido com uma das empresas que lideram a quantidade de remédios fornecidos para a Prefeitura de Campos, que é a AVANTE BRASIL. A empresa de São João do Meriti também sempre chamou a atenção nas licitações de medicamentos e insumos.

A Avante Brasil no entanto, tem ficado atrás da BMC no ranking de fornecimento de medicamentos e insumos. Nos últimos 6 meses, a empresa recebeu R$ 2.353 milhões. Diferente de Bruno, o proprietário da Avante Brasil é mais reservado e pouco se sabe dele. O titular Rodrigo Alvaro Cunha possui pouquíssimos registros documentais sobre o seu passado. Assim como a Avante Brasil, que tem algumas aparições em licitações em cidades do interior, sendo alvo de uma auditoria do Tribunal de Contas da União em contratos da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e Prefeitura Municipal de Magé, que concluiu que a empresa exercia um contrato irregular com possível superfaturamento.

Resultado de auditoria do TCU em contratos da empresa Avante com o Governo do Estado

Tivemos dificuldades também em encontrar a empresa Avante Brasil, no entanto, não foi uma dificuldade exclusiva do ClickCampos. A justiça também enfrentou a mesma dificuldade quando teve de notificar a empresa, não encontrando sequer o endereço ou galpão da empresa, é o que diz um relatório do TCU, que apontou diversas irregularidades em contratos da empresa AVANTE Brasil. No relatório, entre as irregularidades, estaria o fato da empresa não entregar os medicamentos que já haviam sido pagos.

No local informado como sede da empresa na verdade existia uma terreno cercado de tapumes.

Trecho da auditoria feita pelo TCU que aponta indícios de irregularidades na empresa AVANTE BRASIL.

O ClickCampos teve acesso a outros documentos que apontam indícios de diversas irregularidades em outras empresas que prestam serviço para a prefeitura de Campos. Ao longo dos próximos dias divulgaremos maiores informações.

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