Politica

Ex-ministro de Temer: “Ou mudamos o país em 2018, ou podemos não ter país para mudar daqui 4 anos”

O ex-ministro da Cultura de Temer e pré-candidato a deputado federal, Marcelo Calero, esteve em Campos durante a última semana cumprindo agenda política no município. Calero esteve no olho do furacão da primeira crise política enfrentada pelo governo Temer. Com menos de 6 meses de governo, Calero tornou público a pressão exercida pelo presidente Temer, para que ele aprovasse a construção de um prédio de 30 andares em Salvador. O ex-ministro Geddel Vieira Lima era o principal interessado na construção, já que tinha apartamentos no prédio. Sem medo das consequências, Calero negou o pedido de Geddel e Temer, e além disso tornou público o caso.

Diplomata de carreira, antes de assumir o ministério da Cultura Calero teve passagens pelo PSDB, onde disputou uma eleição em 2010, e também pelo MDB, onde participou do governo de Eduardo Paes na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente filiado ao PPS, Calero falou sobre a crise enfrentada no Brasil e principalmente no estado do Rio.

— Me coloco como pré-candidato a deputado federal por entender que o momento é crítico. Vou ter grande dificuldade na Câmara Federal por ser uma pessoa que não se envolve no jogo de interesses dos caciques da política. As pessoas tem que se conscientizar que ou mudamos em 2018, ou podemos não ter país para mudar daqui 4 anos. Ou nos conscientizamos que a eleição para o parlamento é importante, ou vamos mergulhar ainda mais no mar de lama que vivemos atualmente. Uma bancada de 20 pessoas que estejam engajadas para conquistar o bem para a população, já consegue fazer muito barulho e defender os interesses do povo, coisa que atualmente não temos —, destacou Calero.

Calero ganhou notoriedade após não ceder ao jogo de interesses do Planalto, mas com 11 anos de vida pública entre o cargo de diplomata e secretário de Cultura, Calero destaca que o episódio foi a primeira vez em que foi confrontado com um ato de corrupção. “As pessoas podem criticar o Eduardo Paes, mas até os adversários confirmam que ele tem forte poder de trabalho. Em momento algum tive dificuldades com ele. Inclusive, teve casos que eu nomeei uma subsecretária que ele sequer quis conhecer, ele dizia ‘Se você nomeou é por que você confia e sabe da capacidade. Se ela te substituir, sei que será alguém competente’. Eu achei que no MinC, por ser um ministério pequeno e com pouco orçamento eu não passaria por esse tipo de episódio”.

Diferente da maioria, Calero afirma que não teve indicação de Paes para ocupar o cargo de ministro. “Eu sou diplomata de carreira, entrei para o Itamaraty em 2007. Trabalhei no México até 2010, quando fui convidado para trabalhar na Prefeitura do Rio. Lá trabalhei em três áreas diferentes, que foi na Coordenação de relações internacionais, na organização das comemorações do ‘Rio 450 anos’, e depois ocupei o cargo de secretário de Cultura, onde tive um trabalho muito elogiado. Lá o nosso objetivo era levar cultura para todos os cariocas. Fazer com que eles ficassem próximos da secretaria de Cultura. Inauguramos o Museu do Amanhã, reformamos teatros e bibliotecas. Graças à tudo isso tive um trabalho reconhecido e fui convidado a fazer parte do governo Temer, que buscava um quadro técnico naquele momento.”, explicou Calero, esclarecendo como chegou ao cargo de ministro.

>>>> LEIA TAMBÉM: “Por onde anda Mauro Silva?”

Atualmente no PPS, mesmo partido do prefeito Rafael Diniz, Calero também esclareceu o motivo da sua mudança partidária, já que compôs por 9 anos o quadro de filiados do PSDB. “Fui do PSDB por 9 anos mas nunca fui militante. Era filiado, mas o motivo acredito que tenha sido uma forte crise na social democracia.  Fui para o PPS por ser um partido muito conectado com as necessidades das pessoas. Os políticos hoje em dia não possuem conexão nenhuma com o povo. O PPS não tem escândalos de corrupção, não tem a preocupação de acordar com um integrante do partido preso. O partido tem apontado soluções concretas para o Brasil. Ou seja, tem se adaptado a essa nova forma de fazer política. Essa forma partidária de fazer política está pouco a pouco ultrapassada. O que virá, ainda não temos como dizer como será. Mas vai mudar, isso não temos dúvidas. Eu me sinto muito confortável no PPS, principalmente por ser um partido muito decente”, detalhou.

Ao ser perguntado como avalia o cenário político do Brasil e no estado do Rio, Marcelo Calero demonstrou muita preocupação. “A situação do Brasil está calamitosa, mas a do nosso estado está um desastre. Para presidente, acho uma pena que o Joaquim Barbosa tenha desistido. O nosso candidato era o Luciano Huck, que acredito que seria a melhor opção. Eu faria campanha para ele entusiasmado, e entusiasmo é o que não tenho até agora com as opções que temos. O Huck é um cara que com enorme potencial, vem se preparando, vem estudando, vem acumulando conhecimento e buscando apoio de diversos movimentos como o ‘Brasil agora. Já para presidente, eu acho que temos que fugir dos extremos e buscar uma via que mantenha o dialogo. Temos boas possibilidades, mas me preocupa o quadro que temos”.

A visita de Marcelo a Campos aconteceu exatamente na semana em que o governo Temer completou 2 anos. Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, Calero foi o único ex-ministro que está solto a não ir ao evento. “Vejo isso com orgulho. Cazuza já cantava ‘não me convidaram pra essa festa pobre que os homens armaram pra me convencer’. É exatamente dessa forma que vejo isso. Saber que eu estava do lado certo. Isso pra mim é um atestado de honestidade”, concluiu Calero.

Comente com o seu Facebook
Ex-ministro de Temer: “Ou mudamos o país em 2018, ou podemos não ter país para mudar daqui 4 anos”

To Top
error: Conteúdo protegido.