Empresas de ônibus relatam crise e correm risco de falência com retorno das vans até o Centro de Campos

O começo de ano está sendo de prejuízo para as empresas de ônibus em Campos. De acordo com o do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Campos (Setranspas), nos primeiros seis dias de 2021, algumas empresas apontaram queda de 70% em algumas linhas. A situação se dá desde que o prefeito Wladimir Garotinho liberou as vans de transporte alternativo para circularem na área central da cidade, fazendo com que o número de passageiros dos ônibus caisse drasticamente

Segundo Gilson Menezes, presidente do Setranspas, ainda durante a campanha eleitoral, a categoria se reuniu com o então candidato Wladimir Garotinho e oficializou uma proposta, o qual tanto as empresas de ônibus como as vans seriam beneficiadas, no entanto, o atual prefeito preferiu agir de forma política assim que assumiu o governo.

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– Em reunião com Wladimir, durante campanha, ele pediu que a gente apresentasse uma proposta oficial do setor. E nós apresentamos. Na proposta a região Norte do município, que engloba Morro do Coco, Santo Eduardo, outros distritos, as vans fariam essa ligação desses locais até o distrito de Travessão. De travessão até o Centro as empresas fariam o transporte. Na região da Baixada as vans transportariam as pessoas de toda a Baixada até Goitacazes. De Goitacazes para o Centro seriam as empresas de ônibus. Já na região Sul, que engloba Serrinha, Ibiotioca e Pernambuca, entre outros, as vans levariam os passageiros até Ururaí. De lá a empresa Rogil levaria os passageiros para o Centro – ressaltou Gilson Menezes.

Ainda de acordo com o presidente da Setranspas, no acordo proposto, a prefeitura seria responsável pela construção de três terminais nesses locais, e as empresas assumiram a administração.

“Nós assumiríamos esse custo de manutenção dos terminais com toda a infraestrutura, como banheiros, assentos, lanchonete e ponto de recargas para celular. Na ocasião, o então candidato, e hoje prefeito, afirmou ter gostado da ideia, mas disse que tinha um compromisso com o pessoal das vans. Mas, se for colocar o caso dentro da legalidade as vans não podem predominar, na verdade nem poderia circular, no entanto no momento de entendimento e até enxergando as necessidades das pessoas que trabalham nas vans há muito anos, fizemos essa proposta que era o ideal para todos”, afirma.

Gilson Menezes disse ainda que Wladimir alegou que são 200 famílias que se sustentam com o trabalho nas vans. “A gente entende isso, mas ele se esqueceu e nós abordamos na reunião que o setor emprega dois mil funcionários. Fora os motoristas, cobradores, despachantes, além de existir um outro contingente que ninguém visualiza que são os mecânicos, capoteiros, pintores e o setor administrativo. São 30% de funcionários que ficam dentro das empresas e ninguém vê. Embora com a pandemia o número de funcionários em geral diminuiu em todas as empresas e deve girar em torno de 800 pessoas empregadas atualmente. Mas, não são somente as vans, são táxis, carros e lotadas. Não tem como o setor de transporte sobreviver dessa forma. O que precisa ser feito são esses terminais com os consórcios administrando”, conta.

Hoje o sistema de transporte de Campos é dividido em setor e consórcios: o consórcio Planície tem as empresas São João e Jacarandá; o consórcio União tem as empresas São Salvador, Turisguá, Cordeiro e Siqueira; e a empresa Rogil sozinha em outro setor.

“Ouvimos todas as empresas e todo mundo concordou. É o melhor para o usuário, para as empresas, os funcionários e também para os motoristas de vans. Nós estamos pensando nos usuários que são a linha de frente e quem realmente precisa do transporte todos os dias. Eles (governo) gostaram, mas a alegação é que tinha que dar uma satisfação e não há tempo para isso”, frisou.

A forma como as vans foram liberadas para rodar no Centro chamou a atenção da categoria. “Colocaram as vans sem nenhum decreto, tudo verbal, e isso não pode prevalecer. A gente vê um equívoco grande do prefeito, porque colocar as vans sem qualquer publicação, sem fundamentação legal e colocando em pontos estratégicos que interferem no trabalho das empresas é um equívoco. Alguns setores tiveram queda de 70% no número de passageiros, outros setores tiveram queda de 30%, isso em apenas seis dias”, diz Gilson Menezes.

O presidente do Setranspas saliente que o problema vem de longa data e que o governo passado fez uma lei municipal que não pode sobrepor a uma lei federal ou seja, não pode de uma hora para outra achar que as empresas podem parar e colocar as vans.

“As seis empresas dos dois consórcios – exceto a Rogil que foi extremamente perseguida – tiveram a infelicidade que fechar verbalmente um acordo com o presidente do IMTT a época, Fellipe Quintanilha, uma das piores pessoas que já passaram na gestão de transporte. Houve um acordo de tirarem as frotas das linhas das empresas, reduzir e colocar na entrada da cidade cobrando metade da tarifa, que já está defasada. A tarifa é a mesma desde 2013 até hoje”, afirma.

Além de perder por ter mais vans circulando, as empresas de ônibus ainda enfrentam os problemas relacionados aos subsídios da prefeitura ainda relacionado ao governo passado, até dezembro. “Uma van cobrava do Farol para Campos R$ 6,86, sendo que passageiro pagava R$ 2,75 e a prefeitura subsidiava o restante. Já os ônibus recebiam apenas R$ 2,75. Há uma inversão. Um sistema criminoso montado por Fellipe Quintanilha”, lembra Gilson.

“Uma van tem custo operacional de 1/3 dos ônibus, além de não transportar gratuidade, e não oferecer o conforto necessário e itens obrigatórios de acessibilidade. As vans que têm ar condicionado andavam com os vidros fechados durante a pandemia, mas as empresas de ônibus foram obrigadas a parar nas garagens os veículos que tinham vidro lacrado. Mais uma ação do Quintanilha”, finaliza Gilson Menezes.

Em nota, a Prefeitura de Campos informou que, ” tem estudado junto aos setores uma viabilidade econômica do sistema para atender empresas de ônibus e transporte alternativo”.




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