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Empresa que ganhou contrato de R$ 33 milhões emite nota contradizendo versão dada pela Prefeitura

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Na sexta-feira passada, repercutimos aqui no ClickCampos o contrato de R$ 33 milhões firmado entre a Prefeitura de Campos e a empresa MX Gestão e Saúde para ‘gerir a saúde’ do município. Na matéria, apontamos ligações entre a empresa e o esquema montado nos hospitais de campanha do governo do estado do Rio, onde culminou com o impeachment de Wilson Witzel e a prisão de empresários, como Mário Peixoto, e até mesmo do presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo.

Horas após a publicação, a Prefeitura de Campos veio a público informar que o contrato ‘não foi assinado’, e o motivo seria que a empresa não apresentou todos os requisitos técnicos. No entanto, em nota enviada á nossa redação, a empresa MX Gestão e Saúde contradiz a versão dada pela Prefeitura de Campos.

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Segundo a nota, foi “devidamente demonstrado no procedimento de dispensa de licitação, que a MX Gestão e Saúde possui plena capacidade técnica, operacional e fiscal, para executar o objeto do contrato administrativo, além de ser a mais vantajosa economicamente”. A afirmação vai totalmente ao encontro do que o governo municipal alega.

Curiosamente, mesmo afirmando que o contrato sequer foi assinado, a Prefeitura de Campos criou a ordem de empenho no Portal no Transparência, designando os R$ 33 milhões que a empresa receberia.

Então encaminhamos para a Prefeitura de Campos as informações obtidas e pedimos esclarecimentos, como por exemplo, por qual motivo o distrato do contrato ainda não foi publicado em Diário Oficial, e principalmente, quais motivos levaram a Prefeitura cancelar o contrato. Após quase uma semana, ainda não obtivemos respostas.

Também solicitamos a empresa MX Gestão e Saúde informações sobre o contrato e a ata da dispensa de licitação. Também encaminhamos demandas onde pedimos mais detalhes referente ao contrato, e principalmente, buscamos a informação se a empresa irá tomar alguma medida após ter o seu contrato cancelado com o município. Assim como a Prefeitura de Campos, também não obtivemos respostas da empresa MX Gestão e Saúde.

Na nota enviada a nossa redação anteriormente, uma contradição também é apontada contra a empresa. Segundo a nota, o sócio “Dr. Cleidson Vieira, embora tenha composto o quadro societário das empresas Deltamed e Prohealth Ltda., nunca participou de quaisquer atividades ligadas a administração, gerenciamento fiscal, contábil, licitatório ou de qualquer outra atividade de cunho estratégico das referidas empresas”. No entanto, registros apontam que Cleidson participou de licitações representando a empresa como sócio administrador. Exemplo disso colocamos abaixo:

A nota também destaca a idoneidade do outro sócio da empresa, o médico Guilherme Grechinski, assim como de todos os colaboradores. A MX Saúde também afirma não ter nenhuma ligação com a IABAS, organização social responsável pelos hospitais de campanha do Rio de Janeiro, mesmo com Cleidison tendo prestado serviço para a OS.

A MX Saúde também justificou o fato de não ter ninguém em sua sede na cidade de Teresópolis pelo fato de que atualmente todos os funcionários trabalham em home office. Então perguntamos para a empresa se pelo fato de não ter nem uma sede física instalada, isso não demonstraria falta de estrutura para ofertar o serviço. Também não obtivemos respostas.

Ainda assim, mesmo com tantas dúvidas acerca do contrato milionário, deixamos o espaço aberto para a empresa e para a Prefeitura de Campos prestarem os devidos esclarecimentos.

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