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Em 5 anos no Palmeiras, Galiotte teve críticas, acertou finanças e apoiou Leila

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Maurício Galiotte vive seus últimos dias na presidência do Palmeiras. No cargo desde 2017, o dirigente deve ser sucedido por Leila Pereira, candidata única na eleição que acontece neste sábado no clube social. Ele encerra seu mandato deixando um legado de austeridade financeira, equilíbrio nas finanças e valorização da base. Também fica marcado pelas críticas que sofreu, chegando a ser chamado de “banana” por torcedores, e pela boa parceria com a sua provável sucessora, dona da Crefisa.

Com Galiotte, o time conquistou quatro títulos: Campeonato Brasileiro em 2018, Paulistão, Libertadores e Copa do Brasil na temporada passada. Por outro lado, sai sob críticas de torcedores incomodados com a ausência de reforços importantes nos últimos anos. Há quem diga que ele poderia ter sido mais assertivo em sua gestão, especialmente nos momentos de crise.

Como é candidata única na eleição, Leila Pereira precisa somente obter mais de 50% dos votos para se tornar a primeira presidente mulher da história do Palmeiras. Se houver mais do que 50% de votos brancos ou nulos, o pleito será anulado e outra assembleia geral será convocada nas 48 horas subsequentes para, em 15 dias, realizar uma nova eleição com a mesma chapa que concorreu na assembleia anterior. Se ainda assim não obtiver a aceitação mínima por parte dos associados, um novo processo de inscrição de chapas deverá ser realizado.

Caso se confirme a previsão, Galiotte passa o bastão para Leila no dia 15 de dezembro, quando a nova presidente toma posse oficialmente. Até lá, há o período de transição. Antes disso, o dirigente ocupa os últimos dias de seu segundo mandato na posição mais proeminente do clube e espera que o Palmeiras ganhe mais um troféu em sua administração. No dia 27, em Montevidéu, o time enfrenta o Flamengo na decisão da Libertadores.

5 ANOS – Formado em administração de empresas, Maurício Galiotte é sócio do Palmeiras desde 1978. Foi atleta de futsal e do futebol na base entre 1979 e 1987 e elegeu-se para o Conselho Deliberativo em 2004. Foi diretor e vice-presidente de Paulo Nobre até chegar à presidência em 2016, ganhando um pleito sem concorrentes. Atuou para ampliar de dois para três anos o mandato presidencial e se beneficiou dessa reforma estatuária, já que venceu a eleição seguinte para ocupar por mais três anos o cargo máximo do clube alviverde.

Galiotte se orgulha de o Palmeiras ter obtido, sob sua gestão, recordes de faturamento, se aproximando de R$ 700 milhões em 2018. No ano passado, como todos os clube, o Palmeiras foi impactado pela pandemia de covid-19, com os estádios fechados e um período sem jogos. Até por isso, fechou 2020 com um déficit de R$ 150 milhões. No entanto, até o fim de setembro, a agremiação registra um superávit acumulado no ano de cerca de R$ 83,5 milhões. Ele sempre contou com o aporte anual da patrocinadora.

O clube se manteve saudável financeiramente graças a acordos com atletas para redução dos salários, às premiações referentes aos três títulos que a equipe conquistou e à austeridade financeira implementada pela diretoria, que decidiu mudar a prioridade após a saída do diretor Alexandre Mattos ao abrir mão de contratações vultosas e dar oportunidades para os jovens oriundos da base.

“Tivemos uma redução de receita em valores altíssimos, de maneira que foi muito complicado gerir o clube com a receita muito menor”, diz Paulo Buosi, vice de Galiotte, em entrevista ao Estadão. Ele também integra a chapa de Leila e, confirmando a eleição da empresária, será o único remanescente entre os membros da nova diretoria. Um dos maiores legados dessa gestão, na avaliação de Buosi, é a valorização das categorias de base, que revelou jovens como Renan, Patrick de Paula, Gabriel Menino, Danilo, Wesley e Gabriel Veron.

“Praticamente dobramos o investimento que até então estava sendo feito na base. Aproveitamos muitos jovens no elenco e ficamos felizes com os resultados. Há vários outros que ainda podem vir”, observa.

Galiotte sempre ressaltou que seu desejo era entregar o clube com as finanças no azul para o seu sucessor e diz ter pagado R$ 300 milhões em dívidas de gestões anteriores. Enfrentou críticas de boa parte da torcida pela ausência de reforços, especialmente neste ano, depois que o time comandado por Abel Ferreira amargou vices consecutivos. Até mesmo o treinador português criticou publicamente a diretoria por não ter trazido os atletas que pedira. Em protestos, membros da principal torcida organizada, a Mancha Alviverde, até chegaram a chamá-lo de “banana”. A crítica era motivada pela maneira como o mandatário conduzia o clube, sem o “pulso firme” que eles entendiam ser necessário.

“Pagamos R$ 300 milhões de dívidas de gestões passadas. Muitas vezes não fazemos contratações porque queremos pagar em dia. Como palmeirense, também gostaria de reforços de ponta. Mas somos responsáveis. O Palmeiras não termina na minha gestão”, justificou o presidente em entrevista recente à Band.

Galiotte, que é conselheiro vitalício, e os membros da diretoria consideram que foram capazes de fortalecer “a marca” Palmeiras e entendem que Leila, caso eleita, vai comandar um clube reestruturado e mais organizado do que havia encontrado o atual mandatário. “A preocupação sempre foi continuar com o Palmeiras equilibrado, honrar compromissos e manter o Palmeiras forte. Não existe um projeto bom apenas para aquele dia, aquele ano, aquela gestão. Nosso compromisso é ter um Palmeiras cada vez melhor por longos anos”, avalia Buosi.

DESAFIOS – Leila, provável sucessora de Galiotte, terá alguns desafios no comando do clube para além de manter o equilíbro financeiro e o time competitivo, disputando títulos, o que acontece sucessivamente desde 2015. Ao assumir o cargo mais alto da agremiação, terá de reaproximar o torcedor do time. E isso passa por baixar o preço dos ingressos, fortalecer o programa de sócio-torcedor Avanti e até mesmo desfazer o bloqueio policial nos arredores do Allianz Parque.

Quanto ao elenco, há a necessidade de definir a renovação ou não de alguns atletas, o principal deles é Felipe Melo, conversar com Abel Ferreira sobre sua permanência e trazer os reforços que o treinador português e os torcedores pediram. Há o entendimento de que a principal carência do plantel é a posição de centroavante, hoje ocupada por Luiz Adriano, que debochou da torcida e vem recebendo vaias e xingamentos há algum tempo. Sua situação está insustentável e é improvável que fique. Deyverson é o reserva, mas não agrada tecnicamente.

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