Doria alfineta Bolsonaro e pergunta onde está a vacina de Oxford

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez uma série de ataques ao governo federal e ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta terça-feira (19), quando participou do ato que marcou o início da vacinação para Covid-19 em Ribeirão Preto (315 km da capital).

Doria criticou o fato de o presidente ter colocado em dúvida a qualidade e eficácia do imunizante produzido pelo Instituto Butantan em diferentes ocasiões e lembrou que, até o momento, esta é a única vacina disponível no Brasil para vacinação contra Covid-19 -o governo federal negocia a importação de 2 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca da Índia.

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“Onde estão as outras vacinas? Será que mais uma vez, além de falta de seringas, agulhas, falta de logística, testes desperdiçados com prazo vencido… Até quando vamos ter a incompetência do governo federal diante de uma pandemia que já levou a vida de mais de 215 mil brasileiros?”, questionou.

Doria ainda fez declaração de apoio à Fiocruz, instituição parceira no desenvolvimento da vacina Oxford/AstraZeneca, que também foi aprovada pela Anvisa neste domingo (17), mas cobrou o governo federal sobre a aquisição da vacina.

“Nós temos muito respeito pela Fiocruz e seus cientistas. Agora eu pergunto ao Ministério da Saúde: onde está a vacina da AstraZeneca? […] O ministério nem considerava termos a vacina do Butantan, e hoje é a vacina do Butantan que está vacinando profissionais de saúde em todo o Brasil. Mas eu volto a perguntar ao presidente Jair Bolsonaro: onde estão as vacinas da AstraZeneca?”, disse.

O governador ainda cobrou que o presidente trabalhe com compaixão, respeito pela medicina, pela saúde e pela vida. “Respeite a vida, presidente. Respeite os brasileiros”, disse.

O presidente do Butantan, Dimas Covas, falou sobre o represamento de insumos que vêm da China para a produção das vacinas e destacou que se trata de um atraso burocrático. Na segunda-feira (18), o instituto renovou um pedido de agilidade para o envio dos insumos.

“Essa demora com relação à vinda dessa matéria-prima eu espero que fique agilizada agora, com a aprovação do uso emergencial [da Coronavac] pela Anvisa. Até o último domingo (17) a vacina era o inimigo número um do presidente, e a China também”, afimou Covas.

O diretor do Butantan ainda cobrou um maior envolvimento do governo federal para ajudar a liberar os insumos para a produção da vacina.

“Se a vacina agora é do Brasil [como afirmou Bolsonaro], que o nosso presidente tenha a dignidade de defendê-la e de solicitar apoio ao seu ministério de Relações Exteriores na conversa com o governo da China. É o que nós esperamos”, disse.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-R) marcou uma audiência com o embaixador da China, Yang Wanming, para falar sobre o atraso no envio de insumos para a fabricação de vacinas no Brasil.




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