fbpx

#SigaOCLICK

Cientistas criam “café sustentável”, feito só com células e sem uso de sementes

MAIS LIDAS

Pesquisadores finlandeses desenvolveram uma espécie de “café sustentável”, criado a partir de células da planta e sem o uso de suas sementes, sendo mais amigável ao meio ambiente e tornando mais ecológico o vício que permeia a vida de jornalistas, contadores, advogados e toda a sorte de trabalhadores de escritório no mundo.

Leia também

O que você quer no carro do futuro? “Cafeteiras!”, respondem britânicosCafeína não aumenta o risco de desenvolver arritmia, aponta novo estudoBeber café diariamente reduz o risco de morrer por doenças no fígado

O processo é mais ou menos o mesmo usado para na criação de carnes em laboratório: um conjunto celular (ou “cluster” de células) da planta do café é cuidadosamente monitorado em condições ideais de luz, temperatura e oxigênio, dentro de um biorreator.

A pesquisadora Heiko Rischer (foto) lidera um projeto que visa criar café de forma sustentável e menos agressiva ao meio ambiente (Imagem: VTT Technical Research Centre/Divulgação)

O produto final que sai dessa combinação é exatamente igual ao que você obtém no processo comum (ou seja, após colher e moer as sementes), e a preparação da bebida segue exatamente o mesmo processo – ou seja, seu primo hipster ainda vai ter do que reclamar quando baristas supostamente “errarem” a forma como entregam o seu “latte”.

“O café é, evidentemente, um produto problemático”, disse Heiko Rischer, pesquisadora do VTT Technical Research Centre em Helsinque, na Finlândia, referindo-se ao aumento da temperatura média mundial em virtude do aquecimento global. A especialista comenta que, por causa do fenômeno climático, plantações existentes estão cada vez menos produtivas, entregando menos sementes e forçando fazendeiros a desmatarem áreas cada vez maiores de florestas para criar espaços de cultivo.

“Além de tudo isso, tem a questão do transporte, a questão do uso de combustível fóssil… Pensando assim, faz todo o sentido procurarmos por alternativas”, disse Rischer. Segundo ela, o produto desenvolvido por sua equipe, se fabricado em larga escala, já traria economias no uso de água, por exemplo, por exigir quantidades menores do que o necessário para o cultivo no campo. O que falta agora é avaliar o impacto disso em outros recursos.

Heikki Asala (foto) coordena os testes de qualidade e sabor do “café sustentável” produzido na Finlândia: “é menor amargo que o café tradicional” (Imagem: VTT Technical Research Centre/Divulgação)

Mas clientes de cafeterias de preços extravagantes querem mesmo é saber mais sobre o sabor, certo? Bom, ainda é cedo para fazer afirmações absolutas, mas o “café sustentável” da Finlândia já vem sendo testado por especialistas em qualidade sensorial. Por ora, contudo, apenas um painel especializado tem autorização para isso devido ao estado de “comida nova” – há normas legislativas na Finlândia para que comidas diferenciadas sejam apenas testadas por profissionais especializados.

Basicamente, isso significa que a produção em larga escala ainda vai demorar: segundo Heikki Aisala, que coordena os testes de qualidade do novo café dentro do instituto, os panelistas que estão avaliando o material podem apenas “cuspir sem ingerir”, uma forma pomposa de dizer que o tal café não pode ser engolido.

“Comparado ao café tradicional, o nosso café celular é menos amargo”, disse Aisala, atribuindo isso a um teor mais baixo de cafeína presente no café sustentável. A sensação de sabor “frutuoso” também é menos acentuada, segundo ele.

“Isso dito, temos que admitir que não somos profissionais no ato de torrar café e muito da geração de sabor vem desse processo”, disse Rischer, afirmando que especialistas da indústria podem extrair mais sabor do que o instituto.

Os dois especulam um prazo mínimo de quatro anos até que o café criado em laboratório consiga as devidas aprovações sanitárias – bem como o financiamento para uso comercial – e, finalmente, o novo produto compartilhe uma prateleira com seus cafés mais tradicionais nos mercados.

Vale lembrar que a Finlândia, onde o projeto é conduzido, é um dos maiores consumidores de café do mundo: segundo levantamento do World Atlas, cada pessoa no país bebe o equivalente a 12 kg por ano. “Por isso, há bastante entusiasmo [no projeto]”, disse Aisala.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

O post Cientistas criam “café sustentável”, feito só com células e sem uso de sementes apareceu primeiro em Olhar Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais notícias