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Católicos LGBT questionam o papa que ‘não julgava’ e agora ‘não abençoa’ casamento gay

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Em 2013, seu primeiro ano à frente da Igreja Católica, o papa Francisco se declarou inapto a rejeitar homossexuais que buscassem o conforto de Deus. “Quem sou eu para julgar?”

A fala encheu católicos LGBT com a esperança de, enfim, serem acolhidos sem ressalvas no seio da instituição.

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Oito anos depois, quem é ele para abençoar?

O mesmo Francisco deu sinal verde para o Vaticano divulgar, na segunda (15), a diretriz para que clérigos não dêem sua bênção a uniões entre pessoas do mesmo sexo. Afinal, “Deus não pode abençoar o pecado”, diz o documento da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão responsável por formular normas para os fiéis da maior vertente cristã do mundo.

Poucos sacerdotes ousaram bater de frente com a orientação da Santa Sé avalizada pelo papa, ao menos abertamente. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) é exemplo de cautela. Ainda que no reservado haja críticas ao posicionamento, ninguém quer falar publicamente.

Pelo mundo, houve reações que tomaram cuidado para não avançar sinais, mas foram encaradas como um aceno aos LGBT. Uma delas partiu do arcebispo de Chicago. Blase Cupich reconheceu que a “reação compreensível de muitos será de decepção” e pede que a contrapartida seja “redobrar nossos esforços para sermos criativos e resilientes para acolher todas as pessoas LGBT em nossa família de fé”.

Autor de “Building a Bridge” (construindo uma ponte), o padre James Martin foi nomeado em 2017 por Francisco como consultor da Santa Sé. Jesuíta como o papa, ele disse que “a jornada é longa, e Cristo está conosco -pessoas LGBT, famílias, amigos e aliados- e nunca nos deixará”.

“Somos uma igreja peregrina, aprendendo, mudando e crescendo, mesmo em meio ao que pode parecer para muitas pessoas decepções e até mesmo tristezas”, disse James, que sacou o salmo 34 para consolar os desapontados: “Perto está o Senhor dos quebrantados”.

Reverendo gay e professor de teologia da Universidade Fordham, fundada pela Diocese Católica Romana de Nova York, Bryan Massingale afirmou que os padres dispostos a se engajar em ações pastorais para a diversidade “continuarão a fazê-lo, exceto que será ainda mais por baixo dos panos do que era antes”.

Na Áustria, um coletivo de padres dissidentes que desafia a Igreja em tabus como o celibato clerical afirmou que não seguirá a determinação do Vaticano. “Não negaremos a nenhum casal que se ame a bênção de Deus, que eles já experimentam todos os dias, também em um momento de adoração”, disse o padre Helmut Schueller.

A decisão, porém, não é fácil de ser tomada. Sacerdotes que forem contra a decisão do alto clero podem sofrer sanções que vão desde uma advertência até o afastamento de suas funções clericais. Aconteceu em 2019 com o padre Vicente Paula Gomes, suspenso de suas funções da Diocese de Assis (a 433 km de São Paulo) após abençoar o casamento de dois homens.

Um preceito penal (espécie de sentença eclesiástica) estabeleceu que Gomes poderia voltar à paróquia no fim de 2020, mas ficou obrigado a passar um ano sem celebrar uniões e precisou fazer um curso sobre “a perspectiva teológica, jurídica e pastoral” do matrimônio.

O texto diz que o padre se mostrou arrependido da decisão “inconsequente”, um “escândalo iminente”. Ele também foi proibido de falar à imprensa por três anos.

A Congregação para a Doutrina da Fé tomou a decisão após ser provocada por algumas paróquias que expressaram o desejo de abençoar casais como boas-vindas aos LGBT católicos. O órgão afirmou que a posição “não se destina a ser uma forma de injusta discriminação, mas um lembrete da verdade do rito litúrgico”.

O texto reitera o que está expresso no catecismo: é preciso respeitar as pessoas LGBT -sigla que engloba orientações sexuais e identidades de gênero múltiplas que a Igreja, aliás, reúne sob o guarda-chuva “homossexuais”. O problema é que “há uma incoerência fundamental entre essa ressalva e a violência da afirmação ‘Deus não pode abençoar o pecado'”, diz Cris Serra, presidente da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT.

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