Foto: Silvana Rust

Na noite deste domingo(03), foi noticiado no programa ‘Fantástico’, da Rede Globo, o caso de pacientes que sofreram diversas ‘queimaduras’ após sessões de radioterapia no Hospital Doutor Beda. Segundo a reportagem, o caso aconteceu devido o hospital utilizar pastilhas de cobalto fora do prazo de validade. Ainda segundo a matéria, o caso teria sido registrado no ano de 2010, e estaria sendo investigado no Ministério Público Federal(MPF).

Segue abaixo a nota do hospital:

Foi resultado de inverdades e de omissões na edição a matéria jornalística exibida neste domingo (03/04) no programa Fantástico, que mencionou uma reclamação feita por uma paciente tratada em equipamento de telecobalto – utilizado no tratamento de pacientes com câncer – nas instalações do Hospital Dr. Beda.

Antes, é preciso esclarecer que o efeito invasivo deste tipo de tratamento pode causar reações em determinados pacientes. Da mesma forma que o tratamento quimioterápico pode causar mal-estar, enjoos e outras reações. Exatamente por este motivo, o Hospital Dr. Beda foi o primeiro da região a adquirir em 2012 um acelerador linear – que não utiliza equipamentos radioativos – e encerrou as atividades com o telecobalto.

Em relação ao rendimento da pastilha de cobalto, o serviço era monitorado pelo órgão regulador, a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), sendo enviados a esta, periodicamente, relatórios com as aferições pertinentes, para análise. Somente em maio de 2010, foi endereçado ao hospital um ofício do CNEN determinando a paralisação da atividade até que fosse substituída a fonte de cobalto – ou seja, não havia qualquer impedimento, até aquele momento, da utilização do equipamento –, tendo sido procedida a substituição em julho de 2011, quando o serviço foi autorizado a retornar às suas atividades pelo mesmo órgão regulador.

Na matéria jornalística exibida pelo Fantástico, foi apresentada pela paciente uma ficha datada do mês de agosto de 2010, tendo a matéria indicado que, supostamente, a cobaltoterapia teria sido realizada mesmo com a determinação de paralisação pelo órgão regulador. Entretanto, o referido documento exibido menciona que o dia 03/08/2010 tratou-se tão somente do agendamento de uma consulta ambulatorial de revisão para exame clínico (e não qualquer sessão de cobaltoterapia) após a alta do tratamento, com a expressão bem clara: “EXAME APÓS ALTA”.

O Fantástico foi informado, por nota de esclarecimento que lhe foi enviada anteriormente à edição da matéria, que a fonte de cobalto foi substituída no mês de julho de 2011. Mesmo inexistindo qualquer documento que atestasse a realização de alguma sessão de cobaltoterapia no período de suspensão pela CNEN, o Fantástico omitiu-se sobre a informação fornecida pelo hospital.

Durante o período da suspensão pela CNEN, reitera-se que o serviço foi paralisado e que não foram realizados tratamentos de cobaltoterapia em quaisquer pacientes, o que foi informado pelo Dr. Diogo Neves na entrevista concedida para o programa exibido neste dia 03/04 e que corresponde à realidade dos fatos.

Sobre eventuais “queimaduras”, repete-se que o hospital não recebeu nenhuma reclamação de pacientes tratados no ano de 2010 e que alguns dos efeitos colaterais agudos possíveis em tratamentos radioterápicos, seja por cobaltoterapia, seja por aceleradores lineares, são as toxidades da pele (radiodermite), entendidas por leigos como queimaduras, e que são complicações  ou intercorrências inerentes à própria radioterapia, não sendo completamente evitáveis e não podendo ser caracterizadas exclusivamente como falha na condução da terapia. Tais complicações são dependentes de múltiplas variáreis.

O Hospital Geral Dr. Beda informa, ainda, que não recebeu qualquer notificação sobre a alegada denúncia do Ministério Público Federal objeto da matéria jornalística, o que lhe impossibilita, até o presente momento, o exercício de seus direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório.

Por fim, considerando que o objeto da matéria foi o interesse do MPF de que a tecnologia para o tratamento radioterápico em pacientes oncológicos no Brasil seja somente a dos aceleradores lineares e não mais a da cobaltoterapia, informa-se que, no Grupo IMNE, tal tecnologia (acelerador linear) foi incorporada e disponibilizada aos pacientes da região desde o ano de 2012, e que atualmente não é utilizada para o tratamento de câncer a fonte de cobalto, o que já atende à recomendação do Ministério Público Federal e pôde ser averiguado “in loco” pela jornalista da Rede Globo (tendo sido inclusive transmitidas imagens do acelerador linear pertencente ao Grupo IMNE na reportagem, identificado pelo Fantástico como a mais moderna tecnologia). Quanto a esta informação, mais uma vez se omitiu a matéria que foi exibida no programa deste domingo.

A população de Campos e região conhece a qualidade dos serviços médicos e hospitalares que prestamos. Com sensacionalismo e inverdades, o Fantástico da TV Globo procurou comprometer um trabalho de 40 anos. Tomaremos as medidas cabíveis para reparar esses danos.”

Comente com o seu Facebook
COMPARTILHAR