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Ao menos dois morrem durante protesto contra golpe militar no Sudão

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ao menos dois manifestantes foram mortos pelas forças de segurança em protestos neste domingo (2) contra o governo militar no Sudão, que tomou o poder em um golpe em outubro do ano passado, segundo informações do Comitê Central de Médicos Sudaneses.

A entidade divulgou que uma das vítimas era um homem na casa dos 20 anos, que morreu em Cartum devido a ferimentos na cabeça, e a outra também era um homem, baleado no tórax em Omdurman.

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As mortes ocorreram durante protestos que levaram milhares irem às ruas após a morte de seis pessoas em manifestações na quinta-feira (30). Neste domingo, a polícia tentou dispersar o ato, que caminhava em direção ao palácio presidencial em Cartum, com bombas de gás lacrimogêneo, corte de telecomunicações e soldados armados.

Os manifestantes marchavam aos gritos de “os soldados no quartel” e “poder ao povo”, enquanto jovens em motocicletas cruzavam a multidão, prontos para socorrer feridos, pois a cada mobilização as ambulâncias são bloqueadas pelas forças de segurança.

As autoridades tentaram ainda impedir o ato erguendo barreiras físicas, como tem sido feito em todos os protestos, que se tornaram regulares desde o golpe do general Abdel Fattah al-Burhane.

Há vários dias Cartum está cercada por contêineres colocados nas pontes sobre o rio Nilo. Internet e redes de telefonia pararam de funcionar na manhã deste domingo e, nas principais estradas, membros das forças de segurança em veículos blindados com metralhadoras vigiavam os passantes.

Ainda assim, os sudaneses foram às ruas se manifestar em memória dos mártires. Ao menos 54 pessoas já morreram e outras centenas ficaram feridas desde o golpe. Na última quinta, além das vítimas nos protestos, policiais prenderam e espancaram jornalistas de duas emissoras sauditas.



Além das mortes e dos cortes de telecomunicações, as forças de segurança também são acusadas de terem recorrido em dezembro a uma nova ferramenta de repressão: o estupro de pelo menos 13 manifestantes, segundo a ONU.

Soma-se a isso as denúncias dos Comitês de Resistência –pequenos grupos que organizam manifestações– de novas prisões ou desaparecimentos diários nos bairros de Cartum.

Os ativistas pedem que 2022 seja “o ano da resistência”, exigindo justiça para os manifestantes mortos desde o golpe e para os mais de 250 civis mortos durante o que chamam de revolução de 2019, quando a pressão popular obrigou o Exército a destituir um de seus militares, Omar al-Bashir, após 30 anos de ditadura militar.

Depois, generais e civis concordaram com um cronograma de transição que exigia a entrega de todo o poder antes de eleições livres em 2023. Em 25 de outubro, porém, o general Burhane estendeu com o que chama de “correção do curso da revolução”, mantendo seu mandato à frente do país por dois anos, além reinstalar o primeiro-ministro civil Abdallah Hamdok –que não aparece em público há dias, alimentando rumores de demissão aumentam.

Os militares ainda precisam apresentar aos 45 milhões de sudaneses o governo civil que havia prometido no fim de novembro, ao libertar Hamdok da prisão domiciliar. Num país quase sempre sob o domínio militar desde a sua independência há 65 anos, os manifestantes proclamam: “nem parceria, nem negociação com o Exército”.



O governo militar encara também pressão da comunidade internacional. Europeus, EUA e ONU já expressaram indignação pela a situação do país. Todos defendem o retorno ao diálogo como pré-requisito para a retomada da ajuda internacional, cortada após o golpe.

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