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A “independência” que nem os vereadores acreditam

Como diria o ‘grande poeta’ José Carlos, “neutralidade é coisa de covarde”. No áudio que viralizou no segundo turno do ano passado, o ex-vereador cobrava posicionamento de seus companheiros de partido, criticando duramente quem ficava em ‘cima do muro’. Com todos os defeitos – que não são poucos -, mesmo não sendo parâmetro para boas práticas, Zé Carlos demonstrou que uma qualidade é o seu forte, a lealdade. Mesmo com a alta rejeição do prefeito Rafael Diniz, Zé Carlos não quis ficar em cima do muro e seguiu ao seu lado até o final do primeiro turno, mesmo que isso possa ter custado a sua reeleição.

Nessa legislatura, uma nova categoria de vereador surge expressando bem o que o ‘grande sábio’ repudiava: ‘os independentes’. Ficam sempre em cima do muro, flertam com a oposição, dialogam com todas as forças, valorizam o passe, e o final é sempre o mesmo. Sentam com o governo, conversam e tudo fica bem. Há quem diga que a cura para qualquer desavença são indicações para cargos no governo, mesmo que no caminho seja preciso ‘cavar a falta’, fingir que está chateado, falar que não é valorizado, entre outras práticas que vão se repetindo ao longo do ano.

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Na noite desta sexta-feira mais uma vez o enredo parece ter se repetido. O prefeito Wladimir publicou um vídeo com o vereador Maicon Cruzz, onde os dois, ao lado de Fábio Ribeiro, parabenizam os professores pelo seu dia. Não é nenhum conteúdo comprometedor para o parlamentar, tampouco o carimba como vereador da base do governo, longe disso. Mas há 2 semanas era ele quem posava com outros três vereadores e com o secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, Caio Vianna, onde dialogou sobre a ‘gestão eficiente e moderna de Niterói’. Também era ele que entrava na sala do presidente da Câmara dias depois e afirmava seu apoio no pleito de 2022 seria para Caio Vianna, após ouvir de um interlocutor do prefeito algo que o desagradou. Também é ele quem possui diversas indicações no governo, como Coordenador de Transportes da sec. de Educação, entre outros cargos.

A postura confusa por parte do parlamentar, quando questionada é sempre justificada pela ‘independência’. Na verdade, assim como ele, outros vereadores pregam independência, mas nos bastidores possuem diversas indicações no governo. Seja em pastas específicas ou até em UBS que nem foram reabertas ainda.

Se na legislatura passada a lealdade ao rejeitado Rafael fez com que a Câmara tivesse uma renovação de 80%, dessa vez o medo de se comprometer pode fazer com que a atual legislatura registre algo parecido. Isso enfraquece o governo, que fica sem defensores na Câmara, e deixam a população sem entender o que os parlamentares querem de fato e de qual lado estão. Afinal, quem está com todo mundo, na verdade não está com ninguém.

Essas atitudes, que são constantes, fazem com que o legislativo se apequene cada vez mais e perca o respeito da população, mesmo que tenha vereadores comprometidos com a cidade. Em uma metáfora, o que já foi um puxadinho do CESEC e depois se transformou num triplex, hoje pode virar uma casinha de cachorro onde o dono, após comer o filé, joga o osso e os pets vão correndo para roer.

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