A Câmara de Campos precisa acordar

No último dia 7, publicamos aqui no ClickCampos com exclusividade, documentos que mostravam que a prefeitura de Campos “perdoou” uma dívida milionária de um importante grupo empresarial da cidade. Dado o peso da denúncia, em resposta a publicação, o prefeito Rafael Diniz encaminhou para Câmara um projeto de lei onde propõe “perdoar” as pequenas dívidas também. A atitude eleitoreira deixa claro que é uma resposta para tentar “abafar” o perdão milionário e fazer a população esquecer do grande contrato citado, que por sinal, não deve ser o único. 

Já no dia 31 de maio, também publicamos com exclusividade a denúncia de um integrante do Conselho Municipal de Saúde, onde o moço detalha em 13 pontos supostas irregularidades que estão acontecendo em diversos setores da gestão de Rafael Diniz. Já no dia 14, detalhamos o estranho caso da negociação envolvendo a Santa Casa de Misericórdia com a prefeitura de Campos, onde o Procurador Geral do Município, José Paes Neto, conversava juridicamente com o seu irmão, que é o procurador da Santa Casa, o que sugere um conflito de interesses. 

Pois bem, passados quase um mês desde a primeira denúncia, vereadores da base do governo simplesmente decidiram se calar e aceitar as manobras vindas do CESEC. Seja projeto de lei para abafar escândalo ou enviar um secretário de uma pasta não citada para explicar a desastrosa ação de outro secretário. Talvez isso explique o motivo de que em qualquer conversa de bastidor, os mais otimistas dizem que no máximo 10 vereadores da atual legislatura devem conseguir sucesso na disputa do ano que vem.  

A falta de utilidade de alguns (muitos) vereadores é tão notável, que tem vereador comemorando instalação de quebra-molas e troca de lâmpadas. Tem vereador que vai “comemorar” limpeza de terreno baldio, mesmo a ação sendo solicitada por outro vereador. É o famoso aproveitar com o instrumento dos outros”. Não podemos esquecer das centenas de moções e homenagens grotescas que a Câmara vem oferecendo. A necessidade de aparecer com ações de pouca relevância e o esquecimento em pautas de interesse geral, como as denúncias citadas no início da matéria, nos leva a crer que o puxadinho virou apartamento duplex. 

Nenhum vereador da base irá questionar os moldes da negociação com o grupo IMNE? Nenhum vereador ficou com dúvidas na negociação entre a prefeitura de Campos e a Santa Casa de Misericórdia? Até que se prove o contrário, não podemos concluir se há ou não irregularidades na negociação, mas por que não convocar José Paes Neto para explicar, detalhar e tranquilizar a população na tribuna da Câmara? Seria uma ótima oportunidade para o governo esclarecer de uma vez por todas as negociações. 

Passou da hora de alguns vereadores entenderem a palavra “ACORDAR” como somente um verbo de ação após um sono profundo. 

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