É comum ver nas redes sociais e nas ruas, diversas pessoas defendendo seus políticos de forma fervorosa. Uma militância que escolhe com o que se revolta tem surgido e de uma forma absurda tem dito suas meias verdades por aí. A ideia não é defender nenhum político aqui, muito pelo contrário, todos que tem sido citados e indiciados devem ser totalmente investigados e se forem declarados culpados devem sim ser punidos da forma como a lei prevê.

O que é altamente revoltante é ver a parcialidade crítica que as pessoas tem desenvolvido, vemos pessoas que criticam métodos da investigação quando atingem seu candidato, mas aplaudem assim que o mesmo método é utilizado contra um adversário, chamam a imprensa de mentirosa, tendenciosa e vendida a cada manchete que aponta possíveis erros do seu candidato, mas compartilham toda e qualquer informação que afete a imagem de seus inimigos.

Dilma em momento de descontração com Temer quando ela ainda era presidente

Essa hipocrisia coletiva e altamente difundida tem enojado os verdadeiros críticos do cenário político brasileiro. É altamente importante que as pessoas defendam suas ideologias, debatam e lutem pelos seus projetos políticos para a nação. Mas é um absurdo ver a militância colecionando bandidos de estimação, absolvendo automaticamente os atos dos políticos que admiram e condenando automaticamente os que no campo ideológico se posicionam de forma diferente.

O Tucano que rouba é tão ladrão quando o Petista que comete o mesmo crime, assim como existem tucanos e petistas honestos por todo o país. É preciso que haja discernimento, que bandidos sejam tratados como bandidos assim que forem condenados, que réus sejam tratados com réus também, com o devido direito a defesa.
Todos os acusados de envolvimento nos diversos esquemas de corrupção que tem sido denunciados, tem muitas coisas em comum. O Grupo JBS, segundo os delatores, pagou propina a Aécio Neves (PSDB), negociou coisas obscuras com Michel Temer (PMDB), fizeram doações a diversos candidatos de diversos partidos e ameaçam agora explodir delações que atingem mortalmente, pela ordem, os ex-presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) e o ex-chanceler e ex-presidenciável José Serra (PSDB).

Senador Aécio Neves ao lado do Ex Presidente Lula

Pelos indícios apresentados, o pão com mortadela e as coxinhas são comprados com o mesmo dinheiro. A militância vai pra rua brigar como inimigos, enquanto seus líderes sentam a mesa, tomam cafezinho e repartem os dividendos do assalto que tem sido feito ao nosso país. Líderes políticos de partidos diferentes são vistos sempre como adversários honrados, quando acabam na realidade sendo parte de um mesmo esquema de beneficiação própria.

Cabral, Rosinha e Garotinho, quando pertenciam ao mesmo partido

Esse tipo de coisa não está só em Brasília, podemos ver isso aqui bem perto também. Sabe a Odebrecht? Seus executivos afirmam ter pago mais de R$ 20 milhões de reais a família Garotinho, também sabemos que a Odebrecht obteve dois contratos cujos valores somados chegam a R$ 800 milhões para a construção de casas populares em Campos. Também segundo delatores, obras da Odebrecht no Rio pagaram R$ 120 milhões a Cabral e Pezão. A corrupção financia a esquerda, a direita, o centro e quem quer que esteja disposto a dar qualquer tipo de vantagem para manter o funcionamento do sistema.

A militância tem se dividido pra defender e acusar esses políticos, durante muito tempo o povo tem sofrido na mão desses políticos, não temos nem mais motivos para acreditar neles. Enquanto isso todos eles estão do mesmo lado da moeda, do lado que tem ganho o ‘Cara ou Coroa’ nas ultimas décadas, apostando nossos futuros, tirando tudo que nós temos. É preciso acordar, lutar contra isso, buscar algo novo.

É possível e plausível que alguns dos citados sejam inocentes, que algumas das acusações sejam infundadas, que algumas das manchetes sejam mentiras. Mas o que é mais importante é que devemos ser racionais, pensar criticamente, defender somente o que é defensável. Não devemos colocar políticos em pedestais como se eles não fossem capazes de errar, e ao mesmo tempo não podemos condenar ninguém sem que o devido processo legal o faça.

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